sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Uma pausa antes da UTI

O meu primeiro contato com trigêmeos na minha vida foi uma catástrofe. Era ainda residente do 1º ano em recife e me lembro como hoje, e acho que nunca vou me esquecer. Estava em uma festa com meus pais em comemoração ao dia do médico (18 de outubro de 2001) e o telefone dele tocou. Meu pai também é ginecologista/obstetra. Era um chamado para lá de estranho. Uma gestante de trigêmeos de outro médico havia entrado em trabalho de parto e o médico dela não respondia ao chamado. Ela então se lembrou do nome de meu pai, Vamberto maia. Meu pai talvez seja o homem mais íntegro que conheço. Ele não titubeou um segundo e foi ao hospital. Eu a tiracolo por que não haveria mais ninguém a chamar, era um dia de festa. No caminho fomos discutindo sobre o caso e a singularidade, atender uma gestante em trabalho de parto de trigêmeos e que não se sabia nada dela, nem o nome. Estávamos a 3 minutos do hospital, vejam que sorte. Quando chegamos lá o plantonista estava em pânico, pois era uma gestação super prematura (28 semanas, o que seria anos mais tarde o número das minhas filhas) e o primeiro já havia nascido. Infelizmente muito mal. Dentro do centro cirúrgico percebemos que a placenta do primeiro havia descolado e obstruía a saída dos demais, optou-se por uma cesárea. Exatos 5 minutos depois todos estavam fora do útero. Enquanto acabávamos a cirurgia as noticias não eram boas, o 1º havia morrido. No final da cirurgia o 2º havia morrido. Conversar com os familiares foi impactante para um jovem médico. O desespero nos olhos de cada um era contagiante. Fiquei muito mal. Na madrugada o último faleceu. Esta era minha pequena história pessoal com trigêmeos. Por incrível que parece ao longos dos outros anos nunca mais tive contato com casais de trigêmeos.
Quando vim trabalhar em SP o tópico trigêmeos voltou a minha vida. Sempre considerei a gestação de múltipolos (qualquer número) um efeito colateral do tratamento. Afirmo não desejado, mas que tinha que conviver. Alguns casos aconteceram, mas sempre indicava outros colegas para acompanhar. Só em 2009 nove fiz o primeiro pré-natal de trigêmeos. Uma paciente maravilhosa Alessandra e seu marido Rodrigão me pediram para acompanhar a gestação deles. Para mim foi dificílimo, pois sou muito Caxias comigo mesmo e não queria pecar em nenhum quesito. A gestação foi incrivelmente tranqüila, mas segui a risca todos os mandamentos de um bom pré-natal, estar sempre à frente dos problemas. Com 30ª semanas a internei já que não conseguia mais andar pelo peso e 2 semanas a uma da manha de NE novembro a bolsa da Giovanna rompeu. Os bebes era grandes todos com mais de 2 Kg e após o parto apenas um ficou ainda uma semana no hospital, ou seja, uma vitória. Apesar disto considero que uma sucessão de bons acontecimentos me ajudou neste pré-natal.
Agora era a vez de enfrentar os meus medos e traumas com as minhas filhas, elas precisavam de mim.

O retorno

enfim de volta!

Estava "agoniado" em voltar a escrever.

A tese se foi e estou de volta.

Vamos lá!