terça-feira, 13 de outubro de 2015

EDUCAÇÃO É BOM E EU GOSTO

Acho que posso afirmar que sou uma pessoa antiquada. Fui criado por pais maravilhosos que me deram um significado enorme a educação: agradecer presentes, dar bom dia no elevador e pedir “por favor” sempre. Parece que isso soa tão banal, mas não é. Como sinto falta disso hoje em dia. Parece que as pessoas vivem em casulos e educação virou “demode”.
Dar educação é, entre outros pontos, dar limites. Uma criança não tem limites, por que ela não sabe onde estão os limites. E aí entram os pais. Não estamos falando em ter dinheiro, por favor! Tenho grandes amigos humildes que são um poço de educação. Estou falando em praticar, ensinar, doutrinar boas ações e costumes. E como é difícil isso. Com é difícil ensinar a não jogar lixo no chão se o amiguinho da frente o faz, ou pedir para não tocar nas obras do museu se tantos o fazem...
Isso tudo por que ontem vi um garoto cuspindo na pilha de pratos que seriam usados no restaurante onde comia. Não dá para pensar num maior absurdo. Mas os pais não viram, nem souberam. Não estavam por perto. O garoto saiu ileso e provavelmente vai arrancar uma rosa do pé, depois derrubar a lata de lixo ou fazer bulling no mais frágil. Conivência ou comodidade dos pais que preferiram delegar a sorte (ou azar) o futuro do filho.
Quando as meninas nasceram nos tínhamos um problema real: sem família por perto ou delegávamos a criação delas as babás ou sacrificaríamos nossos tempos de trabalho para ficar com elas. E Não foi fácil decidir. A nossa conclusão foi optar por Maíra abrir mão de seus consultórios (na época tinha 5) para ficar com as meninas quase integralmente e eu teria um dia na semana para ficar com elas (o que faço até hoje). A evidente queda dos nossos recebíveis pesou demais. Sem falar numa certa frustração pessoal de ambos: chegar ao doutorado e parar tudo para criar filhos é algo muito reprovável por feministas e machistas não? Mas um tiro certeiro.

Minhas filhas não são crianças francesas (leiam o livro “crianças francesas não fazem manha” – recomendo muito), mas são muito mais educadas que a média que acompanho. Sabem bem o valor de um “bom dia” ou “saúde” após o espirro. Valorizam o “por favor” e o “obrigado”. Não é obra do acaso, mas a base de muito, mas muito esforço. Que continuará amanhã e por muitos ambos.
Flores não brotam no oásis de nenhum jardim sem cuidados, mas até no sertão, com um pouco de água o cacto floresce. Acredito que nosso “investimento” é de longo prazo. A vida vai retribuir a altura.
#blogdastrigemeas

@VambertoMaia

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Escola: Você não vai querer faltar essa aula

Nesta semana fui pegar as meninas na escola e encontrei com o marido de uma ex-paciente minha. A filha deles está também na mesma escola. Batemos um rápido papo e ele me confidenciou que faz todo o possível para pegar a filha. Ele agora tem horários mais flexíveis e ficamos falando sobre isso. Foi muito interessante notar que muitos outros homens também estavam por ali para pegar seus filhos. Tive uma epifania que o mundo realmente mudou.
Sou um homem de sorte. Tenho o privilégio de almoçar quase todos os dias em casa e ainda levar e pegar as meninas na escola. Algo que faço com muito carinho e dedicação. Fico triste quando não consigo. Meu pai, por exemplo, nunca me levou, pegou ou mesmo foi assistir um jogo meu na minha época de atleta. Outros tempos, outras necessidades laborais.
Ainda na conversa com o meu paciente ele me lembrou, algo o qual não esqueço, que esta fase passa muito rápido e o ideal é tentar aproveitar isso ao máximo. Clichê, mas a pura verdade. Cada esforço meu ficará registrado em minha memória. E isso é o que quero. Olhar para trás e saber que sempre estive por perto. Talvez em breve elas não queiram mais a minha presença. Será? Sei lá!
aula sobre brincadeiras "nordestinas"
Eu realmente tenho esta filosofia. Quero ficar perto dos meus filhos. Quero levar eles a escola (pessoalmente não gosto de “perua” escolar), participar das atividades disponíveis aos pais dentro do colégio, nem que para isso tenha que diminuir um pouco seu trabalho ou quem sabe se reprogramar nas atividades do serviço. Ainda não tenho maturidade suficiente, nem estrada paternal para isso, mas se puder palpitar é que na partida trabalho vs filhos os últimos têm que ganhar de goleada sempre.
Aproveito para ir além. Fora da escola mantenho o mesmo princípio. Procuramos saber o que está acontecendo em sala de aula e tentamos repetir as atividades em casa. Se a época é de construir um robô, junto lixo e faço um também. Se a ideia é trava-língua por que não dar mais opções a eles e a cada oportunidade faça as suas próprias. Se trazem livros, leia-os. A escola dá muitas opções e alternativas. É algo fascinante que mesmo sem saber ler elas narram a história só de ver as figuras e ainda nos corrigem se sentirem a falta de algum trecho que pulamos.

Não quero ser um superpai, onipresente na vida das meninas, pois jamais conseguirei. Amarei cada minuto que pude estar com elas. Darei muitos beijos e abraços. E muitos esporros também! Esta pré-escola será um trampolim para elas, e por que não, para mim. Quando esta fase acabar novas alunas (e cobranças) surgiram. Até lá amarei poder ter vivido isso da forma que sempre sonhei.
#blogdastrigemeas
@vambertomaia

terça-feira, 7 de julho de 2015

FÉRIAS ESCOLARES. E AGORA?


Férias escolares do meio do ano é um problema. Estou há exatos 7 dias me cobrando escrever sobre isso. As meninas entraram de férias e com isso temos essas delicias loucas para gastar energia e julho é complicado, pois, ao contrário do final do ano não há festividades e para piorar em SP esta época do ano é uma combinação de frio e chuva. É de lascar.

De qualquer modo, como entreter os filhos durante 30 dias seguidos sem perder o rebolado? Não é de hoje que colocamos um plano em ação. Ocupar elas com um calendário meticuloso e trabalhoso de ser feito. Lembro que para elas entender que estão sem escola e que você trabalha não é fácil elas querem é passear, curtir as férias, ter coisas legais e divertidas para fazer.  Aliás quem não quer não é!

Deixar a meninada ocupada é o ponto crucial desta equação. Esse ano a escola das meninas (a qual gosto muito) solicitou uma “tarefa de casa”, fazer uma receita culinária da família e levar a experiência de volta ao colégio, antecipo que faremos bolo de rolo!).

No nosso caso fizemos atividades variadas. Para isso fomos a internet buscando informações. Achei um site que tinha várias sugestões bacanas. Para ajudar a tirar o máximo proveito desse período, coloquei abaixo uma lista com múltiplas ideias para estas férias (mas cabe mais!). Separei as ideias por categorias de forma a ajudá-la a encontrar as atividades que melhor atendam a você e aos seus filhos.

Então vamos lá.
  1. Culinária: bolo ou biscoito juntos (ou o que quiser);
  2. Convite amigos dos seus filhos para brincarem na sua casa;
  3. Faça uma cabaninha no quarto para elas dormirem em baixo
  4. Leia livros para dormirem
  5. Coma um fondue de queijo e chocolate 9ª melhor parte!)
  6. Faça a noite da pizza: vocês fazem a pizza (basta pedir na pizzaria a massa);
  7. Façam concurso de canto, dança e desfile de fantasias;
  8. Circuito em casa: crie obstáculos com almofadas, travesseiros, caixas, cadeiras, cobertores  e uma linha de chegada. Quem chegar primeiro sem derrubar nada vence
  9. Separe algumas roupas que não usam mais e customizem usando retalhos, adesivos, pintura, colagem;
  10. Fazer o Diário de Férias: fotografe as brincadeiras, passeios, etc;
  11. Escrevam uma carta para um familiar, incluindo fotos e desenhos (whats up funciona muito bem também!);
  12. Realizem  uma sessão pipoca/cinema em casa ( pode repetir esta opção ok!);
  13. Convide os amigos do seu filho e façam a noite do pijama ou dos games;
  14.  Para as meninas, faça o dia do “ Salão”, chame as amigas delas e deixem que arrumem o cabelo umas das outras, pintem as unhas, etc;
  15. Para os menores: Faça máscaras de super herói. Ex. Homem Aranha, Zorro, Batman.
  16. Façam juntos objetos e brinquedos de sucata tais como: Robôs, porta retrato, barcos, fantasias, etc;
  17. Façam fantoches e/ou bonecos e bolas utilizando meias velhas;
  18. Utilize cartolina, tintas, ou tecido;
  19. Vista os pés das crianças com plástico bolha e faça pintura com os pés
  20. Jogos variados: Dica Pitchureka e twister são ótimas ideias;
  21. Façam um jardim ou uma horta. Se não tiver quintal, usem uma jardineira
  22. Façam um pic-nic;
  23. Esconda um chocolate ou balas no jardim e realize a “ Caça ao Tesouro”;
  24. Leve as crianças a um Parque ou Pracinha para soltar pipa;
  25.  Passe alguns dias com os avós;
  26. Passe alguns dias na praia ou no campo;
  27. Visite um Museu, Exposição, Biblioteca;
  28. Vá ao Cinema;
  29. Visite um pomar e permita que as crianças subam nas árvores e colham os frutos;
  30. Realize uma viagem de 1 dia tais como: visite uma aldeia indígena e/ou histórica, vá até o centro da cidade, vá até a cidade vizinha, vá até um Parque Aquático, visite uma Reserva Ambiental;
  31. Vá pescar e/ou acampar´;
  32.  Procure atividades gratuitas oferecidas pelos Shoppings (quase todos tem uma programação especial para as férias escolares);
  33. Programe passeio de bicicleta em família;
  34. Leve seus filhos para andar de: bicicleta, patins e/ou skate;
  35. Leve-os para passear de trem/ metro;
  36. Permita que eles aprendam algo “ radical” por exemplo: Arborismo, Patinação, Teatro, Escalada, etc.
  37. Deitem na grama e brinquem de adivinhar formas com as nuvens

Ufa!
Não desista. Tenho certeza que se você planejar algumas das atividades já será o suficiente para deixar as crianças felizes sem gastar quase nada. Ah e para provar que não apenas falo tai a prova que estamos colocando em prática:




 Sites sugestão:

@vambertofilho

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Elas Cresceram...

A maternidade deveria ser algo sonhado em cada momento. Pelo menos é a minha opinião. Sempre foi difícil ver mulheres que queriam abortar nos meus antigos plantões da residência médica no IMIP, apesar de sempre apoia-las, era bem doído. No meu caso não foi diferente. Apesar de nossa luta, meu desejo de ser pai sempre foi muito grande. E como todo casal feliz planejamos, ao máximo, os detalhes do processo e com atenção especial ao quarto (já falei antes).
O quarto foi, um marco real nesse processo. Primeiro com a sua execução: adesivos, posição de berços, detalhes mínimos planejados. Depois com a possibilidade real de perder uma de nossas filhas e minha esposa chorando abraçada ao que seria seu berço falado “ ele não pode ficar vazio”. E recentemente com a saída de berços e entrada das camas. O quarto sempre foi uma equação a ser resolvida.
 Mas elas cresceram.

Os primeiros anos foram muito difíceis e duros para todos. Acho que toda criança pequena requer muita dedicação, mas sem dúvida superamos, e muito, essa premissa. Foram muito mais noites em claro que uma pessoa possa suporta. Mas quem ama vai além. Por isso mesmo contava os dias para que elas crescessem. O que não contava que chegaria rápido demais. O dia que retirei a decoração antiga me dei conta real de como o tempo passou. Foi um dia bem difícil, não posso mentir. O quarto agora não são mais de bebes e sim de meninas. Lindas princesas que começaram a ter vontades e desejos próprios... E como têm vontades viu...
O crescimento delas é um ponto a parte do processo. Minha maior preocupação era a como isso se daria. Foram 2 meses em UTI e tontos procedimentos que o futuro era nebuloso tanto ponto de vista motor, intelectual e cognitivo. Mas elas venceram tudo isso com muito brio e luta. Elas estão ótimas e cada dia mais me surpreendem. Não, elas não são meninas prodígio, são crianças felizes, arteiras e muito carinhosas.
Recentemente comprei o filme “Hotel Transilvania” para as meninas e o filme é uma lição para adultos, principalmente para pais de meninas. Incrivelmente bem feito, bastante lúdico e o qual me reconheci integralmente. O final do filme a reflexão que o Vampirão faz foi ótima. Desde já aconselho a quem tem filhas e precisa se reinventar para velas crescer.

Já preparo meu coração para essa nova aventura.

sábado, 21 de março de 2015

Enfim a liberdade...

Talvez poucos conheçam, ou lembrem, da série "Raízes: A Saga de uma Família Americana". Kunta Kinte (também conhecido como Toby Waller) é o personagem central do romance escrito pelo autor norte-americano Alex Haley que virou uma minissérie de televisão. Quem assistiu sabe o quanto o personagem sofre e luta pela liberdade. Este é o tema central.
Quando minhas filhas nasceram viramos escravos delas. Tínhamos 3 pequenas “capitãs do mato” que nos consumiram diuturnamente. E não poderia ser diferente. As necessidades eram enormes e a dependência total. Em minha cabeça a música de “Raízes” sempre ressoava como um mantra. Era até engraçado. Me perguntava quando tornaria a sorver o doce néctar da liberdade. Quando elas teriam autonomia suficiente para “andar sozinhas”. Sabia dentro de mim que os 2 primeiros anos seriam de total “Kunta Kinte”. Alimentação, higiene, cuidados.... Nada poderia ser negligenciado ou feito pela metade. Eram anos de muita dedicação. E foram. As privações foram muitas, também.

A entrada no colégio e o árduo (e infinito) trabalho de educar e ensinar começaram a dar resultados. As meninas começaram a se “automatizar” e estes seriam os passos importantes. Agora as histórias de viagens que amigos contavam ou momentos de laser com os filhos já não estavam tão distantes, era como um objeto de desejo a ser alcançado.
No final do ano decidi que era o momento de descobrir o mundo em família. Não posso mentir que estava com muito medo mesmo. Sempre que havíamos viajado levamos ajuda. Mas a Maíra foi muito importante nesta decisão. Tínhamos que cortar este cordão umbilical. Então em janeiro fomos passar um final de semana no Bourbon Atibaia. As meninas estavam com 4 anos e sem ajudantes. Éramos nos e elas. O resultado pode ser resumindo em uma palavra: fantástico. Escolhemos certo. As meninas já tinham uma desenvoltura razoável e a dependência era menor. Nada que dois pares de braços não dessem conta. O hotel era voltado a crianças em detalhes que passam desapercebido numa primeira vista. Não falo na recreação (que não é muito boa), mas em cuidados com a cama e protetor lateral ou na piscina com vários recursos de proteção. Refeições exclusivas em um espaço próprio e várias atividades em uma área enorme. Foi demais. Juro que na hora do checkout estava tocando a trilha sonora de “Raízes” com grilhões sendo partidos!
Já temos mais viagens programadas. Apenas a família. Demos início a um momento que sempre esperei. Viver em família. Temos pedido opiniões e sugestões. E cada uma tem sido bem guardada. Gostaria de saber e receber mais dicas de viagens para crianças. Assim poderemos compartilhar experiências.
Desde já esperando!
contato@vambertomaia.com





segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Uma Foto e Mil Sentimentos...

   2010 foi um ano realmente único em minha vida. Na mesma época em que eu e a Maíra engravidamos um casal maravilhoso e batalhador também conseguiu seu objetivo. Telma e Sidnei.  Duas gestações singulares. A nossa trigemelar e a deles uma gestação gemelar univitelínica, ou seja, um embrião único que se dividiu e formou 2 outros dentro do mesmo saco de gestação. Dois eventos raros, distintos que não tinham motivos para se misturarem. Só que não!

   O casal já havia enfrentado outros tratamentos e por serem do sul do pais me pediram para que conduzisse o pré-natal. Um desafio que aceitei. As gestações caminhavam em paralelo e na mesma época também complicaram igual. Nas trigêmeas uma (Alice) estava com restrição de crescimento e isso colocava em risco a todas. Nas gêmeas idênticas uma das bebes “roubava” sangue da outra (o que chamamos de síndrome trasnfusor-transfudido) e assim também coloca em risco a vida de ambas. A única solução seria uma cirurgia intra-útero. Queimar com lazer os vasos que faziam este elo e salvar ambos os fetos. Não preciso falar que era um risco real perda da gestação. Nessa altura já sabíamos que todos os bebês eram meninas.


   No passado outro casal teve uma experiência terrível com esta cirurgia intra-útero, com um médico que não conhecia e haviam perdido os bebês. O colega que diagnosticou o problema da Telma no ultrassom me havia indicado, na visão dele, o melhor para isto. O Fábio Peralta. As credenciais eram as melhores possíveis. Entrei em contato, expliquei o caso e me convidei para acompanhar a cirurgia: pela paciente que me pediu e pela curiosidade de ver esta maravilha da ciência. Naquela altura minha cabeça dava voltas com “meus problemas“ e estava um pouco desnorteado. A cirurgia foi agendada para o HCor e cheguei cedo. Conheci o Peralta e com ele conversei sobre o que seria feito. No meio de tudo isso falei sobre o que estava acontecendo com a “minha gestação” e agendamos um encontro para avaliar minha esposa.
Turminha
   Santo foi esse dia. A cirurgia foi perfeita e sem complicações. A gestação da Telma estava bem encaminhada. Agora faltava o meu “caso”. Um dia depois estávamos no consultório dele para minha via crucis. Foram 24 dias de ultrassom diário e um cuidado que raras vezes vi na vida. Olha que sou atencioso e cuidadoso com minhas pacientes, mas o Fábio elevou muito o nível! Não tenho dúvida em falar que a perícia do Peralta foi perfeita em ambos os casos e salvou os 5 bebês.

   Nesse meio tempo de incertezas quanto as gestações combinei com a Telma que um dia colocaríamos as 5 meninas juntas para uma foto e que ainda iriamos rir de tudo aquilo. Na verdade estava apavorado com medo de perder tudo. E isto foi um mantra para dar força a nos mesmos. Um dia teríamos uma foto com todas juntas, Um dia teríamos uma foto com todas juntas (1000x)....
   
   Minhas filhas nasceram em novembro e Bel e Malu em janeiro. Como sabem esse momento não foi fácil e a ideia da foto ficou meio esquecida, até que há duas semanas recebi um e-mail da Telma que me convidou para a festa de 4 anos da Bel e Malu e que queria muito que fossemos. Foi um aniversário que jamais esquecerei e que nem ela sabe o quão ela foi importante para minha vida. Se eu “salvei” a vida da Bel e Malu ela “salvou” a vida da Alice e das demais.

   No final do dia tento sempre fazer uma reflexão do meu dia. Dediquei este dia a Fábio Peralta um dos mais brilhantes ultrassonografistas que conheci; A Telma e Sidnei que de uma forma muito especial salvaram minha filhas; e as meninas que hoje são lindas e saudáveis graças a uma medicina de ponta e humana. Uma festa que nunca mais vai sair de minha memória.
@vambertomaia

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

E que venham mais 444 anos...


Este mês comemoramos a festa de quatro anos de minhas princesas. Foi uma festa incrível mesmo. Sempre fizemos festas mais intimistas sem grandes pretensões, mas dessa vez mudamos de ideia. Maíra argumentou que essa seria uma das últimas chances de nossas princesas curtirem uma festa infantil. Exagero? Que nada. Nosso sobrinho de 6 anos já pediu para passar a tarde no boliche! E assim fizemos.
Escolhemos um buffet ótimo e com brinquedos que nem em meus melhores sonhos infantis teria. A saber: De parede de escalar a torre que despenca, passando por fliperama e chegando numa mini montanha russa! Ah, antes que pensem que com dinheiro tudo se pode esse era o menor custo de 6 buffets avaliados. Realmente valeu a pena. O tema foi escolhido pelas próprias meninas. Minnie foi “the chosen one” e o planejamento começou. De roupas a detalhes das mesas tudo pensado e cuidado com muito carinho. 

A festa foi perfeita e emocionante. 
Sempre brinco que convidado sempre acha do que reclamar. Desta vez não deu! Acho que nunca comi tanto na minha vida! Não faltou nada mesmo. Todos os amiguinhos do colégio das meninas estavam lá, o que foi maravilhoso. Outras festinhas do colégio já tinham sido feitas e pela 1ª vez a turma inteira estava lá. 
Elas se sentiram livres e a vontade para curtir cada pedacinho da casa. Acho nunca senti que uma festa tinha sido "sugada" em sua plenitude. No parabéns cada uma ganhou seu próprio bolo e apagaram suas próprias velinhas. Queremos criar em cada uma sua individualidade (até a roupinha apesar de igual era individual). As meninas brincaram até não poder mais. Saíram de lá com vontade de ficar mais.

Já no carro voltando para casa quase não acreditei no que meus marejados olhos assistiam. 3 Minnies pintadas e dormindo de exaustão no banco de trás do carro. Me lembrei dos 58 dias de sofrimento na UTI; das cicatrizes que ainda carregam nos punhos; dos infinitos exames que fizeram; dos vários médicos que nos seguiram por mais de 2 anos; e de tudo isso e muito mais que nem vale a pena relatar. 
A festa era delas, mas o presente fui eu que ganhei. Que essas pequenas crianças lindas tenham uma longa jornada de alegrias à sua frente. 
@vambertoMaia

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Vai uma chupeta aí?

Quando as meninas começaram a ganhar peso e “pularam o muro” (ler textos anteriores) da UTI era comum ver crianças com chupeta. Ainda dentro da UTI. Antes que alguém se espante isto é muito comum ok. Nada de errado. Mas aquilo não agradava a gente. Eu e a Maíra sempre fomos contra chupeta. Não tenho um motivo claro em minha cabeça, contudo mesmo sem muita profundidade nesta seara assumimos que bebês não precisam de chupeta e que o seu uso pode trazer consequências. E ponto final.
Durante esta fase acabei lendo que chupeta deixaria os músculos da face flácidos. Isso traria prejuízos na mastigação e deglutição. Algo que sabíamos que nossas pequenas guerreiras teriam devido a prematuridade. O desenvolvimento da fala também poderia ser afetado um exemplo clássico é o personagem dos quadrinhos Cebolinha, que troca o “R” pelo “L”. E para piorar cresci ouvindo histórias que a criança ficou “dentucinha” por que usou muito chupeta e por aí vai. 

Nos EUA onde fizemos nosso enxoval até compramos algumas chupetas e acessórios. E olha que chupeta tem um “caminhão” de formas, marcas e acessórios. O americano chama chupeta de “pacifier” e não é por acaso. Chupeta acalma os bebes mesmo. Basta ver a cena em qualquer lugar do planeta: bebê se esgoelando até chegar chupeta. E qual mãe que não recorre a uma chupeta para o bebê parar de chorar? Certamente a esmagadora maioria. Minha mãe quando veio ajudar até colocou uma na boca delas. Uma e única vez que isso aconteceu na vidinha delas. As minhas filhas nunca chuparam chupeta.
Entendo que bebes precisam e tem como um de seus poucos reflexos necessidade de sugar, quando estudante adorava brincar com os RNs nos famosos reflexos próprios dos bebs (“ponto cardeais, baby kiss”...) que demonstram o potencial de oralidade deles. Contudo, sempre achei que chupeta atrapalharia muito esse aprendizado.
Em nossa casa a chupeta foi substituída por “naninhas”. Paninhos que teriam o papel de acalmar elas. Com um detalhe: sem personalizar isso ao máximo possível. Não queríamos criar um vinculo com um único e depois ter uma dependência igual e convenhamos bem nojenta pela sujeira que se acumularia (leia-se: muita baba).
E finalmente este junho, mais um passo foi dado. Jogamos fora todas as naninhas. Fizemos um acordo com elas: cada comportamento errado jogaríamos uma foram, na verdade elas iriam jogar e isso foi uma experiência muito rica. A primeira a ir ao lixo foi repleta de choro e birra, mas com o passar dos dias elas viram que isso era punitivo e elas mesmas falavam: “mamãe vou jogar a naninha foia!” Foi lindo. Hoje substituímos por ursinhos e bonequinhos (o “Buno e Guígui” foram os últimos).
Assim minhas bebes dão passos largos para a fase: meninas!!! Próximo passo: fazer elas comerem sozinhas....
#blogdastrigemeas 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Minhas filhas saíram das fraldas....

Mais que uma sensação de liberdade incrível, este pequeno gesto teve um impacto incrível no meu orçamento familiar. Durante quase 1 ano fui um dos maiores terroristas da natureza gastando a incrível marca de 800 fraldas mês. Isso mesmo 800. A conta é simples: uma troca a cada 3 horas = 8 fraldas dia. Vezes 3 = 24 fraldas dia para todas. Vezes 30 dias no mês = 720 fraldas; mas como essa conta facilmente era maior cheguei aos incríveis 900. Não que eu reclame, fico imaginando se fosse à minha época que não existiam as fraldas descartáveis. Mas quem comprou um pacote de fraldas sabe quanto custa. Nada barato viu.

Superlativo se tornou algo comum a minha ainda embrionária família. Acho que a primeira vez mesmo que fui apresentado aos múltiplos números foi fazendo o enxoval nos EUA. Olhando para o carrinho de compras a vendedora perguntou se tudo era para uma criança. Respondi que não e depois emendou: quantos? – Respondi: “triplets” e um “Ohhh” se seguiu. Notei que muitos “Ohhh” ainda se seguiriam.

Com a saída das fraldas comecei a repensar nos muitos números que entraram (e saíram) de minha vida. 3 filhos; mais de 15 babas; poucas horas de sono (para menos e hoje para mais); muitas discussões conjugais; uma pequena fortuna em reais para bancar essa brincadeira; visitas a diversos médicos; fisioterapia para as meninas; berços; carrinhos; cadeirões; roupas; produtos de higiene; farmácia; carro de sete lugares; escola... Ufa!

A lista é imensa e poderia ficar aqui detalhando o quanto minhas filhas, que nem chegaram a adolescência, são caras. Mas tem outra lista: a de coisas boas. Ah as coisas boas....
Minha vida se tornou triplamente mais agradável e feliz (obviamente quando elas não fazem complô). As descobertas são tão intensas que mereceriam um calculo preciso do agora aposentado Oswaldo de Souza. Mas acho que não seria mensurável. Todo-dia-é-dia de novidades.

Muitos outros números ainda viram: faculdade e genros me preocupam. Os últimos mais que os primeiros, mas certamente já estarei bastante preparado para tudo isso. Mente forte domina coração fraco.


Nunca fui bom com números. Acho que Papai do Céu quis me ensinar uma lição: números não mentem.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

TRIGÊMEOS É UM SONHO?

Quem trabalha com reprodução sabe que dados são sempre importantes. Temos que reportar tudo para centros que gerenciam e monitoram os resultados obtidos e nos colocam sempre no caminho certo (bom e velho “puxão de orelha”). Por isso mantemos o contato, mesmo após o encaminhamento para o pré-natal, para saber sobre “nossos” bebes (peso, idade gestacional, apgar...). É um momento da verdade. De saber o que fizemos e resultados.

E foi dessa forma que descobri que os trigêmeos de uma paciente de meu sócio estavam. Nasceram no interior do estado, com 32 semanas e pesos excelentes para prematuros (cerca de 1500g cada). A maternidade não era um primor e aparentemente alguns problemas ocorreram. Resultado são três crianças com paralisia cerebral entre outros problemas. Da mesma feita, na última vez que fomos ao oftalmologista (obrigatório para prematuros) encontramos outros trigêmeos e um deles com uma paralisia motora importante e um certo déficit intelectual. Nos conversamos um pouco sem que ela soubesse que era também pai de trigêmeos e o relato de luta era duro. Foi muito chocante para mim. 
Ate Sherek chiou...
Não tenho dúvida que o mundo tem uma velocidade diferente de outrora e que queremos tudo para ontem, assim ter gêmeos é uma facilidade incrível. Imagina só um parto e tudo resolvido; ou um só tratamento (e seus custos altos) e pronto uma família completa da noite para o dia. Mas o que é bonito em muitos portas retratos representa o “pesadelo” de muitas famílias (basta conversar com alguém que trabalha com crianças especiais para ver o pavor a gêmeos que têm).

Não existe dados oficiais sobre as sequelas aos múltiplos (independente do número de bebês), mas quando as minhas filhas fizerem 25 semanas (intra útero) fui conversar com a chefe da UTI neo do HMSJ e fiquei espantado. A morbidade nesta faixa de semana é de quase 90%. As minhas nasceram com 28 semanas e 3 dias. Na ocasião tinham 15% de Mortalidade e 80% de morbidade. Falávamos de um "pé torto ou uma marcha ruim" como algo certo e bobo (para eles que tem crianças com problemas muito maiores isso valia, contudo para mim era aterrorizante). São números aproximados de um centro de excelência em SP, não podemos extrapolar para os demais. Nunca é demais lembrar que minhas filhas nasceram com 780, 1000 e 1200g cada.
Quem não os conhece assista Valente....
Muitas pessoas chegam a meu consultório e veem a foto de minhas filhas, saudáveis, lindas e dizem que querem também. Respondo de forma pragmática: não desejo isso para ninguém. E suponho que muitos acham que estou brincando, mas não estou não! Quem já leu relatos anteriores sabe o que passamos e ainda esta por vir.

Nossas filhas são um ponto fora da curva e credito isso a algumas coisas: 1º Deus. Ele colocou sua mão em Maíra e nossas filhas; 2º uma medicina muito acima da media, ter bons profissionais cuidando de você foi decisivo para sabermos a hora exata que a gestação não podia progredir. Aqui incluo principalmente um bom médico fetal; 3º uma maternidade com uma UTI neonatal que te respalda, pois não adianta ser perto de casa ou ter um quarto grande, com prematuros o que manda é a UTI e ponto final. Nunca deixe de priorizar a excelência na medicina, pois no final das contas é dela que precisamos para valer.
+Vamberto Maia Filho