A UTI surgiu a partir da década de 30 transformaram o prognóstico, reduzindo os óbitos em até 70%. Hoje todas especialidades utilizam-se das unidades intensivas, principalmente para controle de pós-operatório de risco.
É muito importante tanto para o paciente como para família compreender a UTI como etapa fundamental para superação da doença, porém tão importante é aliviar e proporcionar conforto independente do prognóstico. A equipe está orientada no respeito a dignidade e autodeterminação de cada pessoa internada, estabelecendo e divulgando a humanização nos seus trabalhos, buscando amenizar os momentos vivenciados através do paciente e família. A UTI é sem dúvida muito importante para o avanço terapêutico, porém impõe nova rotina ao paciente onde há separação do convívio familiar e dos amigos, que pode ser amenizada através das visitas diárias. Outro aspecto importante é a interação família-paciente com a equipe, apoiando e participando das decisões médicas.
| Detalhe das pulseiras e terço |
Eram umas 21hs do dia 06 de novembro de 2010. Decidi levar a Maira em cadeiras de rodas para assegurar que nada iria acontecer. Ao chegar na porta da UTI meu coração estava a mil. Já havia entrado ali tantas vezes, mas era diferente agora. Fomos recebidos pela enfermeira e foi até divertido ver que ela explicava sobre como seria a condução de todo o processo, mas ficava repetindo “eu sei que vocês são médicos”. Ali não queria ser médico. Queria e fui apenas pai. Sempre me portei como igual lá dentro, por mais que tivesse plena consciência de tudo que se passava.
As meninas eram os primeiros berços da UTI. Quem entrasse dava de cara com elas. A UTI tinha um “muro”. De um lado os quadros mais sérios, do outro lado, os mais leves. Isto só fomos saber muito depois. Por isso a expressão pular o muro era a que mais queríamos para nossas pequenas (mas isso só aconteceu muito tempo depois!).
Olhar a incubadora pela primeira vez era como olhar um aquário. Havia uma umidade necessária para não agredir a pele dalas que não permitia que visse quase nada lá dentro, mas mesmo assim foi maravilhoso vê-las e com os sinais vitais ótimos. Ninguém entubado e todas super bem. Posso garantir que chorei muito.
Maíra queria pegar, claro, mas não foi possível ali. Era complicado, para falar o mínimo. Ficamos o tanto de tempo que ela agüentou ficar. Talvez meia hora. Sublime meia hora. A UTI tranquila, apenas nos de pais e um silencio maravilhoso, lógico entrecortado por mil bips das maquinarias da UTI.
Na UTI havia pelo menos umas 20 crianças, e não estava cheio. Poucos nenês críticos. Lá não é possível saber nem falar com ninguém. Uma norma importante para que ninguém fique bisbilhotando a vida e filhos alheios, com comparações infelizes e dolorosas. Cada criança tem suas “mães” lá dentro. Fomos agraciados com dois anjinhos: Filomena (simplesmente - Filó) e Claudia. Como amo estas mulheres viu...
Assim acabava o primeiro dia: todas muito bem (incluindo a mãe), mas tem uma máxima em minha vida que UTI neonatal é que nem criar passarinho: um dia ela canta maravilhosamente bem, no outro... Tudo é muito frágil e acelerado. Sabia disso, mas queria viver aquilo ali como algo que iria continuar. Pena que não foi assim, pois no outro dia muitas coisas mudaram...