quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

E que venham mais 444 anos...


Este mês comemoramos a festa de quatro anos de minhas princesas. Foi uma festa incrível mesmo. Sempre fizemos festas mais intimistas sem grandes pretensões, mas dessa vez mudamos de ideia. Maíra argumentou que essa seria uma das últimas chances de nossas princesas curtirem uma festa infantil. Exagero? Que nada. Nosso sobrinho de 6 anos já pediu para passar a tarde no boliche! E assim fizemos.
Escolhemos um buffet ótimo e com brinquedos que nem em meus melhores sonhos infantis teria. A saber: De parede de escalar a torre que despenca, passando por fliperama e chegando numa mini montanha russa! Ah, antes que pensem que com dinheiro tudo se pode esse era o menor custo de 6 buffets avaliados. Realmente valeu a pena. O tema foi escolhido pelas próprias meninas. Minnie foi “the chosen one” e o planejamento começou. De roupas a detalhes das mesas tudo pensado e cuidado com muito carinho. 

A festa foi perfeita e emocionante. 
Sempre brinco que convidado sempre acha do que reclamar. Desta vez não deu! Acho que nunca comi tanto na minha vida! Não faltou nada mesmo. Todos os amiguinhos do colégio das meninas estavam lá, o que foi maravilhoso. Outras festinhas do colégio já tinham sido feitas e pela 1ª vez a turma inteira estava lá. 
Elas se sentiram livres e a vontade para curtir cada pedacinho da casa. Acho nunca senti que uma festa tinha sido "sugada" em sua plenitude. No parabéns cada uma ganhou seu próprio bolo e apagaram suas próprias velinhas. Queremos criar em cada uma sua individualidade (até a roupinha apesar de igual era individual). As meninas brincaram até não poder mais. Saíram de lá com vontade de ficar mais.

Já no carro voltando para casa quase não acreditei no que meus marejados olhos assistiam. 3 Minnies pintadas e dormindo de exaustão no banco de trás do carro. Me lembrei dos 58 dias de sofrimento na UTI; das cicatrizes que ainda carregam nos punhos; dos infinitos exames que fizeram; dos vários médicos que nos seguiram por mais de 2 anos; e de tudo isso e muito mais que nem vale a pena relatar. 
A festa era delas, mas o presente fui eu que ganhei. Que essas pequenas crianças lindas tenham uma longa jornada de alegrias à sua frente. 
@vambertoMaia

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Vai uma chupeta aí?

Quando as meninas começaram a ganhar peso e “pularam o muro” (ler textos anteriores) da UTI era comum ver crianças com chupeta. Ainda dentro da UTI. Antes que alguém se espante isto é muito comum ok. Nada de errado. Mas aquilo não agradava a gente. Eu e a Maíra sempre fomos contra chupeta. Não tenho um motivo claro em minha cabeça, contudo mesmo sem muita profundidade nesta seara assumimos que bebês não precisam de chupeta e que o seu uso pode trazer consequências. E ponto final.
Durante esta fase acabei lendo que chupeta deixaria os músculos da face flácidos. Isso traria prejuízos na mastigação e deglutição. Algo que sabíamos que nossas pequenas guerreiras teriam devido a prematuridade. O desenvolvimento da fala também poderia ser afetado um exemplo clássico é o personagem dos quadrinhos Cebolinha, que troca o “R” pelo “L”. E para piorar cresci ouvindo histórias que a criança ficou “dentucinha” por que usou muito chupeta e por aí vai. 

Nos EUA onde fizemos nosso enxoval até compramos algumas chupetas e acessórios. E olha que chupeta tem um “caminhão” de formas, marcas e acessórios. O americano chama chupeta de “pacifier” e não é por acaso. Chupeta acalma os bebes mesmo. Basta ver a cena em qualquer lugar do planeta: bebê se esgoelando até chegar chupeta. E qual mãe que não recorre a uma chupeta para o bebê parar de chorar? Certamente a esmagadora maioria. Minha mãe quando veio ajudar até colocou uma na boca delas. Uma e única vez que isso aconteceu na vidinha delas. As minhas filhas nunca chuparam chupeta.
Entendo que bebes precisam e tem como um de seus poucos reflexos necessidade de sugar, quando estudante adorava brincar com os RNs nos famosos reflexos próprios dos bebs (“ponto cardeais, baby kiss”...) que demonstram o potencial de oralidade deles. Contudo, sempre achei que chupeta atrapalharia muito esse aprendizado.
Em nossa casa a chupeta foi substituída por “naninhas”. Paninhos que teriam o papel de acalmar elas. Com um detalhe: sem personalizar isso ao máximo possível. Não queríamos criar um vinculo com um único e depois ter uma dependência igual e convenhamos bem nojenta pela sujeira que se acumularia (leia-se: muita baba).
E finalmente este junho, mais um passo foi dado. Jogamos fora todas as naninhas. Fizemos um acordo com elas: cada comportamento errado jogaríamos uma foram, na verdade elas iriam jogar e isso foi uma experiência muito rica. A primeira a ir ao lixo foi repleta de choro e birra, mas com o passar dos dias elas viram que isso era punitivo e elas mesmas falavam: “mamãe vou jogar a naninha foia!” Foi lindo. Hoje substituímos por ursinhos e bonequinhos (o “Buno e Guígui” foram os últimos).
Assim minhas bebes dão passos largos para a fase: meninas!!! Próximo passo: fazer elas comerem sozinhas....
#blogdastrigemeas 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Minhas filhas saíram das fraldas....

Mais que uma sensação de liberdade incrível, este pequeno gesto teve um impacto incrível no meu orçamento familiar. Durante quase 1 ano fui um dos maiores terroristas da natureza gastando a incrível marca de 800 fraldas mês. Isso mesmo 800. A conta é simples: uma troca a cada 3 horas = 8 fraldas dia. Vezes 3 = 24 fraldas dia para todas. Vezes 30 dias no mês = 720 fraldas; mas como essa conta facilmente era maior cheguei aos incríveis 900. Não que eu reclame, fico imaginando se fosse à minha época que não existiam as fraldas descartáveis. Mas quem comprou um pacote de fraldas sabe quanto custa. Nada barato viu.

Superlativo se tornou algo comum a minha ainda embrionária família. Acho que a primeira vez mesmo que fui apresentado aos múltiplos números foi fazendo o enxoval nos EUA. Olhando para o carrinho de compras a vendedora perguntou se tudo era para uma criança. Respondi que não e depois emendou: quantos? – Respondi: “triplets” e um “Ohhh” se seguiu. Notei que muitos “Ohhh” ainda se seguiriam.

Com a saída das fraldas comecei a repensar nos muitos números que entraram (e saíram) de minha vida. 3 filhos; mais de 15 babas; poucas horas de sono (para menos e hoje para mais); muitas discussões conjugais; uma pequena fortuna em reais para bancar essa brincadeira; visitas a diversos médicos; fisioterapia para as meninas; berços; carrinhos; cadeirões; roupas; produtos de higiene; farmácia; carro de sete lugares; escola... Ufa!

A lista é imensa e poderia ficar aqui detalhando o quanto minhas filhas, que nem chegaram a adolescência, são caras. Mas tem outra lista: a de coisas boas. Ah as coisas boas....
Minha vida se tornou triplamente mais agradável e feliz (obviamente quando elas não fazem complô). As descobertas são tão intensas que mereceriam um calculo preciso do agora aposentado Oswaldo de Souza. Mas acho que não seria mensurável. Todo-dia-é-dia de novidades.

Muitos outros números ainda viram: faculdade e genros me preocupam. Os últimos mais que os primeiros, mas certamente já estarei bastante preparado para tudo isso. Mente forte domina coração fraco.


Nunca fui bom com números. Acho que Papai do Céu quis me ensinar uma lição: números não mentem.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

TRIGÊMEOS É UM SONHO?

Quem trabalha com reprodução sabe que dados são sempre importantes. Temos que reportar tudo para centros que gerenciam e monitoram os resultados obtidos e nos colocam sempre no caminho certo (bom e velho “puxão de orelha”). Por isso mantemos o contato, mesmo após o encaminhamento para o pré-natal, para saber sobre “nossos” bebes (peso, idade gestacional, apgar...). É um momento da verdade. De saber o que fizemos e resultados.

E foi dessa forma que descobri que os trigêmeos de uma paciente de meu sócio estavam. Nasceram no interior do estado, com 32 semanas e pesos excelentes para prematuros (cerca de 1500g cada). A maternidade não era um primor e aparentemente alguns problemas ocorreram. Resultado são três crianças com paralisia cerebral entre outros problemas. Da mesma feita, na última vez que fomos ao oftalmologista (obrigatório para prematuros) encontramos outros trigêmeos e um deles com uma paralisia motora importante e um certo déficit intelectual. Nos conversamos um pouco sem que ela soubesse que era também pai de trigêmeos e o relato de luta era duro. Foi muito chocante para mim. 
Ate Sherek chiou...
Não tenho dúvida que o mundo tem uma velocidade diferente de outrora e que queremos tudo para ontem, assim ter gêmeos é uma facilidade incrível. Imagina só um parto e tudo resolvido; ou um só tratamento (e seus custos altos) e pronto uma família completa da noite para o dia. Mas o que é bonito em muitos portas retratos representa o “pesadelo” de muitas famílias (basta conversar com alguém que trabalha com crianças especiais para ver o pavor a gêmeos que têm).

Não existe dados oficiais sobre as sequelas aos múltiplos (independente do número de bebês), mas quando as minhas filhas fizerem 25 semanas (intra útero) fui conversar com a chefe da UTI neo do HMSJ e fiquei espantado. A morbidade nesta faixa de semana é de quase 90%. As minhas nasceram com 28 semanas e 3 dias. Na ocasião tinham 15% de Mortalidade e 80% de morbidade. Falávamos de um "pé torto ou uma marcha ruim" como algo certo e bobo (para eles que tem crianças com problemas muito maiores isso valia, contudo para mim era aterrorizante). São números aproximados de um centro de excelência em SP, não podemos extrapolar para os demais. Nunca é demais lembrar que minhas filhas nasceram com 780, 1000 e 1200g cada.
Quem não os conhece assista Valente....
Muitas pessoas chegam a meu consultório e veem a foto de minhas filhas, saudáveis, lindas e dizem que querem também. Respondo de forma pragmática: não desejo isso para ninguém. E suponho que muitos acham que estou brincando, mas não estou não! Quem já leu relatos anteriores sabe o que passamos e ainda esta por vir.

Nossas filhas são um ponto fora da curva e credito isso a algumas coisas: 1º Deus. Ele colocou sua mão em Maíra e nossas filhas; 2º uma medicina muito acima da media, ter bons profissionais cuidando de você foi decisivo para sabermos a hora exata que a gestação não podia progredir. Aqui incluo principalmente um bom médico fetal; 3º uma maternidade com uma UTI neonatal que te respalda, pois não adianta ser perto de casa ou ter um quarto grande, com prematuros o que manda é a UTI e ponto final. Nunca deixe de priorizar a excelência na medicina, pois no final das contas é dela que precisamos para valer.
+Vamberto Maia Filho 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

2012 UM ANO DIFÍCIL DE ENGOLIR....

O primeiro dia de 2012 foi um prenuncio do que viria. Dormimos as 02:40 e acordamos as 05:30 (as meninas nunca dormiram ate tarde como de alguns amigos e não o fazem até hoje...). Fomos para a varanda assistir o sol nascer. Entre muito choro contemplamos o futuro. Não amigos, não quero dizer que esse momento poético (que não esquecerei) era um prenuncio de um ano tranquilo, o que na verdade significava era: Vocês vão dormir menos ainda, acordar mais cedo e ter mais trabalho!!!!E assim começou nosso ano de 2012: cansado, com sono e particularmente com dor de cabeça (crianças pequenas e comemoração de Réveillon não combinam). Acho que foram quase 356 dias deste mesmo tom.
As meninas começaram a andar nesta fase e era difícil evitar trombadas e mãozinhas bobas destruindo tudo. Mas esta fase foi até engraçada, pena que coincidiu com uma fase terrível de dificuldade em comer. Juro que foram meses de muita luta. As minhas filhas simplesmente não gostavam e não gostam de comer. Cada refeição era encarada como um desafio por todos. E isto colocou convicções em choque. Maíra nunca aceitou que usasse “ajuda” eletrônica para entreter e eu achava uma forma de conseguir isso. Usar celular ou afim só em caso de desespero total (ou escondido dela). Ela venceu. As meninas comiam (e comem) lendo livros. Mas isso nunca foi o bastante. 



Devido a toda complexidade que envolve ter prematuras em casa, comida é um ponto vital e analisado sob o ponto de vista de uma endocrinologista é quase um desafio. Elas tinham um cardápio absolutamente formatado para elas. Sem sal ou açúcar, óleo de girassol, produtos orgânicos e cozidos para elas. Era muito engraçado levar as receitas para onde quer que fossemos (dividida em semana A e B). Em 3 anos elas só passaram a comer a “nossa comida” em 2013. Em defesa disto posso garantir que a comida era gostosa, já que as pequenas sobras quem comia era eu mesmo! Na tentativa de mudar algo levei uma amiga nutricionista para ajudar, contudo não ajudou, mas serviu para ver que o nosso cardápio era nutritivo, equilibrado, sortido, ou seja, perfeito. 

As refeições eram feitas na sala e apenas no final de 2012 é que passaram a ser feitas na cozinha. Isso era motivado pelo tamanho dos cadeirões. Depois compramos umas cadeiras que se acoplam em cadeiras normais que são extremamente uteis e quebram o maior galho. Até hoje estão em uso. 

O auge do desespero alimentar foi em junho de 2012 quanto viajamos mais uma vez a Recife. As meninas decidiram fazer uma greve de fome. Olha posso garantir que pular da janela foi um pensamento recorrente e quase executado.
Comparar crianças faz parte da rotina de qualquer casal. E para nosso assombro parece que o mundo adora comer, menos nossas filhas. Eu não consigo até hoje saber se fizemos algo de errado, se existia uma tática diferente, se nos é que erramos, se somos estressados demais ou se a comida era ruim mesmo no paladar delas, mas comer sempre foi uma luta.
O que nos deixa tranquilos é que elas cresceram (ufa!) e se desenvolveram plenamente ao ponto de alcançarem as curvas de crescimento de normalidade e até passando e muito estas (no caso da Júlia). Então no final das contas acertamos e todo o hercúleo sacrifício e as lagrimas derramadas de ambas as partes surtiram efeito desejado. Em 2013 a meta é as fazer comerem sozinhas. Bolo e brigadeiro (estritamente em festas) já o fazem, mas até hoje não sei por que (bobinho).
Quem quiser os cardápios me manda um e-mail!!!