O primeiro dia de 2012 foi um
prenuncio do que viria. Dormimos as 02:40 e acordamos as 05:30 (as meninas
nunca dormiram ate tarde como de alguns amigos e não o fazem até hoje...).
Fomos para a varanda assistir o sol nascer. Entre muito choro contemplamos o
futuro. Não amigos, não quero dizer que esse momento poético (que não esquecerei)
era um prenuncio de um ano tranquilo, o que na verdade significava era: Vocês
vão dormir menos ainda, acordar mais cedo e ter mais trabalho!!!!E assim
começou nosso ano de 2012: cansado, com sono e particularmente com dor de
cabeça (crianças pequenas e comemoração de Réveillon não combinam). Acho que
foram quase 356 dias deste mesmo tom.
As meninas começaram a andar
nesta fase e era difícil evitar trombadas e mãozinhas bobas destruindo tudo.
Mas esta fase foi até engraçada, pena que coincidiu com uma fase terrível de
dificuldade em comer. Juro que foram meses de muita luta. As minhas filhas
simplesmente não gostavam e não gostam de comer. Cada refeição era encarada
como um desafio por todos. E isto colocou convicções em choque. Maíra nunca
aceitou que usasse “ajuda” eletrônica para entreter e eu achava uma forma de
conseguir isso. Usar celular ou afim só em caso de desespero total (ou
escondido dela). Ela venceu. As meninas comiam (e comem) lendo livros. Mas isso
nunca foi o bastante.
Devido a toda complexidade que
envolve ter prematuras em casa, comida é um ponto vital e analisado sob o ponto
de vista de uma endocrinologista é quase um desafio. Elas tinham um cardápio absolutamente
formatado para elas. Sem sal ou açúcar, óleo de girassol, produtos orgânicos e cozidos
para elas. Era muito engraçado levar as receitas para onde quer que fossemos (dividida
em semana A e B). Em 3 anos elas só passaram a comer a “nossa comida” em 2013.
Em defesa disto posso garantir que a comida era gostosa, já que as pequenas
sobras quem comia era eu mesmo! Na tentativa de mudar algo levei uma amiga
nutricionista para ajudar, contudo não ajudou, mas serviu para ver que o nosso cardápio
era nutritivo, equilibrado, sortido, ou seja, perfeito.
As refeições eram feitas na sala
e apenas no final de 2012 é que passaram a ser feitas na cozinha. Isso era
motivado pelo tamanho dos cadeirões. Depois compramos umas cadeiras que se acoplam
em cadeiras normais que são extremamente uteis e quebram o maior galho. Até
hoje estão em uso.
O auge do desespero alimentar foi
em junho de 2012 quanto viajamos mais uma vez a Recife. As meninas decidiram
fazer uma greve de fome. Olha posso garantir que pular da janela foi um
pensamento recorrente e quase executado.
Comparar crianças faz parte da
rotina de qualquer casal. E para nosso assombro parece que o mundo adora comer,
menos nossas filhas. Eu não consigo até hoje saber se fizemos algo de errado, se
existia uma tática diferente, se nos é que erramos, se somos estressados demais
ou se a comida era ruim mesmo no paladar delas, mas comer sempre foi uma luta.
O que nos deixa tranquilos é que
elas cresceram (ufa!) e se desenvolveram plenamente ao ponto de alcançarem as
curvas de crescimento de normalidade e até passando e muito estas (no caso da Júlia).
Então no final das contas acertamos e todo o hercúleo sacrifício e as lagrimas
derramadas de ambas as partes surtiram efeito desejado. Em 2013 a meta é as
fazer comerem sozinhas. Bolo e brigadeiro (estritamente em festas) já o fazem,
mas até hoje não sei por que (bobinho).
Quem quiser os cardápios me manda
um e-mail!!!


Vamberto,
ResponderExcluirEstive navegando por esses seus posts para conhecer você melhor. Como já havia dito, uma boa pesquisadora, vai além do Lattes! rs. Você escreve muito bem. Gostei de ler vários de seus posts, demonstrou ser um médico sensível, sincero, justo.
Estou aguardando fortemente para iniciarmos o tratamento, tudo em seu tempo.
Quem sabe tenho a sorte de gêmeos(as)/trigêmeos(as)?
Abc
Andréa