quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

2012 UM ANO DIFÍCIL DE ENGOLIR....

O primeiro dia de 2012 foi um prenuncio do que viria. Dormimos as 02:40 e acordamos as 05:30 (as meninas nunca dormiram ate tarde como de alguns amigos e não o fazem até hoje...). Fomos para a varanda assistir o sol nascer. Entre muito choro contemplamos o futuro. Não amigos, não quero dizer que esse momento poético (que não esquecerei) era um prenuncio de um ano tranquilo, o que na verdade significava era: Vocês vão dormir menos ainda, acordar mais cedo e ter mais trabalho!!!!E assim começou nosso ano de 2012: cansado, com sono e particularmente com dor de cabeça (crianças pequenas e comemoração de Réveillon não combinam). Acho que foram quase 356 dias deste mesmo tom.
As meninas começaram a andar nesta fase e era difícil evitar trombadas e mãozinhas bobas destruindo tudo. Mas esta fase foi até engraçada, pena que coincidiu com uma fase terrível de dificuldade em comer. Juro que foram meses de muita luta. As minhas filhas simplesmente não gostavam e não gostam de comer. Cada refeição era encarada como um desafio por todos. E isto colocou convicções em choque. Maíra nunca aceitou que usasse “ajuda” eletrônica para entreter e eu achava uma forma de conseguir isso. Usar celular ou afim só em caso de desespero total (ou escondido dela). Ela venceu. As meninas comiam (e comem) lendo livros. Mas isso nunca foi o bastante. 



Devido a toda complexidade que envolve ter prematuras em casa, comida é um ponto vital e analisado sob o ponto de vista de uma endocrinologista é quase um desafio. Elas tinham um cardápio absolutamente formatado para elas. Sem sal ou açúcar, óleo de girassol, produtos orgânicos e cozidos para elas. Era muito engraçado levar as receitas para onde quer que fossemos (dividida em semana A e B). Em 3 anos elas só passaram a comer a “nossa comida” em 2013. Em defesa disto posso garantir que a comida era gostosa, já que as pequenas sobras quem comia era eu mesmo! Na tentativa de mudar algo levei uma amiga nutricionista para ajudar, contudo não ajudou, mas serviu para ver que o nosso cardápio era nutritivo, equilibrado, sortido, ou seja, perfeito. 

As refeições eram feitas na sala e apenas no final de 2012 é que passaram a ser feitas na cozinha. Isso era motivado pelo tamanho dos cadeirões. Depois compramos umas cadeiras que se acoplam em cadeiras normais que são extremamente uteis e quebram o maior galho. Até hoje estão em uso. 

O auge do desespero alimentar foi em junho de 2012 quanto viajamos mais uma vez a Recife. As meninas decidiram fazer uma greve de fome. Olha posso garantir que pular da janela foi um pensamento recorrente e quase executado.
Comparar crianças faz parte da rotina de qualquer casal. E para nosso assombro parece que o mundo adora comer, menos nossas filhas. Eu não consigo até hoje saber se fizemos algo de errado, se existia uma tática diferente, se nos é que erramos, se somos estressados demais ou se a comida era ruim mesmo no paladar delas, mas comer sempre foi uma luta.
O que nos deixa tranquilos é que elas cresceram (ufa!) e se desenvolveram plenamente ao ponto de alcançarem as curvas de crescimento de normalidade e até passando e muito estas (no caso da Júlia). Então no final das contas acertamos e todo o hercúleo sacrifício e as lagrimas derramadas de ambas as partes surtiram efeito desejado. Em 2013 a meta é as fazer comerem sozinhas. Bolo e brigadeiro (estritamente em festas) já o fazem, mas até hoje não sei por que (bobinho).
Quem quiser os cardápios me manda um e-mail!!!



Um comentário:

  1. Vamberto,

    Estive navegando por esses seus posts para conhecer você melhor. Como já havia dito, uma boa pesquisadora, vai além do Lattes! rs. Você escreve muito bem. Gostei de ler vários de seus posts, demonstrou ser um médico sensível, sincero, justo.
    Estou aguardando fortemente para iniciarmos o tratamento, tudo em seu tempo.
    Quem sabe tenho a sorte de gêmeos(as)/trigêmeos(as)?

    Abc

    Andréa

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