quarta-feira, 29 de agosto de 2012

01.01.01

O réveillon de 2010 foi inesquecível. Pela primeira vez em minha vida iria estar num hospital na virada do ano, mas sem trabalhar. Era um ambiente diferente festivo, pelo menos para mim. Era o último dia de Alice e Julia lá. Só poderíamos entrar as 23:30, então ficamos do lado de fora. Me sinto como no portão de um show que esperei a minha vida inteira, só faltaram os gritos de "Abre, abre...". Entramos devidamente trajados de branco, e claro que elas também. Para mim o branco no último dia do ano é regra. A noite foi perfeita, muitas fotos com todos da UTI, já que na manha seguinte as enfermeiras seriam outras e teve até uma pequena contagem regressiva, ao som de um sussurro claro. Depois da virada voltamos para casa. O dia tinha que raiar logo.

No dia seguinte chegamos cedo e claro, mais fotos. Até uma simbolizando a entrega das pediatras para gente tiramos. Não posso esquecer quando a Maíra abraçou a Filo e agradeceu. Foi uma emoção enorme. Fomos ao carro e as meninas conosco. Não dava para acreditar.

Chegamos em casa e eu filmando tudo. Quando abri a porta de nossa casa algo aconteceu que não posso explicar. Eu nunca fui um sujeito muito emotivo. Na verdade minhas emoções sempre foram absolutamente comedidas, mas mudei. Elas me mudaram. Acho que nunca chorei de alegria em minha vida, ali foi a primeira vez. Colocamos as meninas em seus berços. Pai como eram pequenas. O berço era simplesmente um playground! Acho que assim como todos os pais do mundo, não dormimos naquela noite. Mal sabia eu que era apenas a primeira de 365 que viriam. Exagero? de forma alguma daquela noite em diante a minha primeira noite de sono completa só veio em 2012. Lá por abril....

Clara veio 2 dias depois. E esses dois dias foram muito esquisitos, mas passaram rápido. A Clara foi a mais prematura de todas, em todos os sentidos... 
Nunca imaginei que iria mudar tanto, que ser pai era o inicio de um novo Vamberto e que a vida daquele momento em diante me seria mais plena. E plena de muitos e deferentes sentimentos...

Que fique claro que o que aconteceu com as minhas filhas foi fora da curva de normalidade. As meninas passaram na UTI por momentos difíceis é certo, mas de uma forma geral sempre em uma condição mais estável possível.

A vida agora seria a 5, na verdade seriam tantas pessoas que tive a impressão que passei a morar em minha própria comunidade. Só que em 105 m2.

2011 iniciavasse  repleto de expectativas e abertos a descobertas, só não avisaram que seria tão, mas tão difícil...

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