A noite no hospital foi tranquila. Maíra dormiu bem e sem dor. Acordei de manhã (não dormi quase nada) e como estava tudo bem decidi ir para casa tomar banho e descansar um pouco. Cheguei e dormi uns 30’e acordei. Estava me vestindo quando Maíra me ligou avisando que a Clara teve uma complicação. Um pneumotórax. Quando ela me falou gelei. “Meu Deus, mas ela é muito pequena”.
Saí em desembalada carreira para o hospital. Queria ver as meninas. Queria ver a Clara. Cheguei lá e fomos. A incubadora parecia uma árvore de natal de tantos fios e tubos. Não registrei este momento em foto ou na memória. Lembro-me vagamente disso. Na verdade muitos desses momentos são um tanto quanto nebulosos para mim. A dor é algo incrível. Nesta altura a Júlia estava entubada, assim como a Clara. Alice que tinha passado o pão que o Diabo amassou durante a gestação estava muito tranquila. Obviamente aquilo era dolorido ela também tomava analgésicos que a deixavam mais sonolenta. As primeiras 24 hs transcorreram muito bem e Clara estava ótima. Graças ao Papai do Céu, que nunca nos faltou.
| Alice no canguru. Maíra entre os berços de Alice e Júlia |
Passado esses primeiros dias (uns 7dias) a rotina começava a modificar. Elas já se preparavam para tomar leite pela sonda e já curtíamos a possibilidade de fazer Canguru com elas. Alice foi a primeira a sair do oxigênio, a tomar leite materno e a fazer canguru, 6 dias após o nascimento. Júlia logo em seguida no 7º dia, porque teve que esperar o fechamento do canal no coração. A Clara demorou mais, 10 dias, por causa do pneumotórax e porque teve que ficar mais tempo no CPAP.
Mas como as médicas da UTI já tinham nos alertado, bebê prematuro é uma caixa de surpresa. No 12º dia de nascida Clara começou a fazer apneia, esquecia de respirar, então voltou para o CPAP e teve que trocar a cafeína pela Aminofilina. Me lembro da conversa nesse dia, pois a apneia foi progressiva. Havia a possibilidade da causa ser uma anemia, comum em prematuros ou convulsão. Olha que escolha: sangue ou anticonvulsivante por um longo período. A decisão foi simples os dois: Hemotransfusão e exames para diagnosticar se havia foco de convulsão. Mobilizei o mundo para doar sangue para ela, e também nestas horas nos vemos quão querido somos. Muita gente doou. O exame demorou alguns dias para ser marcado, para mim uma eternidade. Ela passou a ser acompanhada pelo neurologista infantil e teve que fazer polissonografia para excluir convulsões. Tomou sangue, claro. Outra imagem que não queria ver. Teve que mudar a medicação que ajuda a não se esquecer de respirar. Esta mais complicada pelo limite toxico e de ação serem próximos. O que aconteceu: intoxicou com a medicação para evitar as apnéias, ficou com o coração super acelerado, tremendo muito e vomitando. Resultado ficou 2 dias de jejum e perdeu 120g. Um pesadelo. Olha que prometi que muita coisa vendo ela sofrendo ali. Júlia e Alice estavam bem, só no come dorme. A hemotransfusão não teve complicações e depois deste verdadero calvário Clara começava a melhorar. Ufa!
Ufa nada, como tudo agora estava bem, tinha que complicar um pouco. O exame do olho alterou...
Mas isso fica para a próxima vez...
Olá. Mais uma vez parabéns pelo blog e adorei que serão sobre as meninas. Eu comecei o meu pensando falar de um hobby e acabou que falo praticamente da minha pequena. Vou esperar o próximo post ansiosa
ResponderExcluirVamberto, parabéns pelo Blog. Como vc sabe, nós também passamos por momentos difíceis, só sabe quem passa! Mas com Fé em Deus, conseguimos ultrapassar todas as barreiras e podemos contar emocionados os momentos vividos durante o sofrimento! bjs. (Mãe de Caminha).
ResponderExcluirVamberto só agora conheci seu blog, achei o maximo, chorei com seus relatos, relembrei de tudo que passei, o primeiro dia q cheguei ao seu consultório com toda angustia, medo de nunca ser mãe, e achar você um mega profissional, um ser humano fantástico, um grande amigo...enfim não tenho como te descrever, e tão logo estar gravida de gêmeos, e você ainda me indicar um amigo para acompanhar meu pré natal, que além de meu obstetra se tornou também um grande amigo e alguém muito especial Dr. Robertinho, passei por dificuldades na gestação no parto e ele sempre presente me assistindo, na fase da neonatal também esteve comigo.....só tenho a agradecer por tudo, fico muito feliz que vocês hoje também tem seus filhos com saúde e felizes, soube das sua filhas, da prematuridade, pois sempre pergunto de você pro Robertinho....só peço a Deus que abençoe cada dia mais suas vidas, e fico feliz de saber que podemos contar com profissionais tão integros, comprometidas com a vida, humanos, como vocês.
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