| Olhada no muro repleto de "coisas" necessárias as encubadoras. Ainda no lado"grave". |
Um dia como tantos chegava a UTI e lavava as minhas mãos e
notei uma movimentação em cima do berço da Alice. Focos cirúrgicos, enfermeiras
e médicos com aventais azuis típicos dos usados em cirurgia. “Meu Deus, o que
esta acontecendo” pensei. Fiquei ali parado na entrada do hall olhando com uma
angustia que dava para pegar na mão. Estava a uns 6 metros pois não queria
atrapalhar, mas acho mesmo é que petrifiquei, e não via o que estava
acontecendo bem. Acho que um milhão de coisas passou na minha cabeça. Não sei quanto tempo se passou – 20 a 30
segundos talvez, quando um dos “seres de azul” notou que estava ali olhando
aquilo. Provavelmente com uma cara daquelas. “Não é a sua, não a sua!”. “Hã!”
naquele momento meu cérebro, e coração, voltaram a funcionar. “Suas meninas
pularam o muro “. Foi quando entendi o que acontecia, Alice e Julia, pularam o
muro e a Clara ainda iria ficar por ali, mais afastada do epicentro da
gravidade, mas só pularia o muro alguns dias depois. Quem estava por ali era um
novo prematuro com todas as intervenções sendo feitas e por isso aquele auê
todo.
Quando fui do outro lado do muro e vi as meninas fiquei
muito feliz, em êxtase mesmo. Me lembro que a Maíra ficava o tempo todo pedindo
para que a Clara pulasse o muro logo, era quase um mantra, pois como as meninas
estavam separadas isso era algo ruim. Essa passagem da UTI jamais esquecerei e acho
que nunca mais verei um muro com os mesmos olhos de novo!
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