sábado, 21 de março de 2015

Enfim a liberdade...

Talvez poucos conheçam, ou lembrem, da série "Raízes: A Saga de uma Família Americana". Kunta Kinte (também conhecido como Toby Waller) é o personagem central do romance escrito pelo autor norte-americano Alex Haley que virou uma minissérie de televisão. Quem assistiu sabe o quanto o personagem sofre e luta pela liberdade. Este é o tema central.
Quando minhas filhas nasceram viramos escravos delas. Tínhamos 3 pequenas “capitãs do mato” que nos consumiram diuturnamente. E não poderia ser diferente. As necessidades eram enormes e a dependência total. Em minha cabeça a música de “Raízes” sempre ressoava como um mantra. Era até engraçado. Me perguntava quando tornaria a sorver o doce néctar da liberdade. Quando elas teriam autonomia suficiente para “andar sozinhas”. Sabia dentro de mim que os 2 primeiros anos seriam de total “Kunta Kinte”. Alimentação, higiene, cuidados.... Nada poderia ser negligenciado ou feito pela metade. Eram anos de muita dedicação. E foram. As privações foram muitas, também.

A entrada no colégio e o árduo (e infinito) trabalho de educar e ensinar começaram a dar resultados. As meninas começaram a se “automatizar” e estes seriam os passos importantes. Agora as histórias de viagens que amigos contavam ou momentos de laser com os filhos já não estavam tão distantes, era como um objeto de desejo a ser alcançado.
No final do ano decidi que era o momento de descobrir o mundo em família. Não posso mentir que estava com muito medo mesmo. Sempre que havíamos viajado levamos ajuda. Mas a Maíra foi muito importante nesta decisão. Tínhamos que cortar este cordão umbilical. Então em janeiro fomos passar um final de semana no Bourbon Atibaia. As meninas estavam com 4 anos e sem ajudantes. Éramos nos e elas. O resultado pode ser resumindo em uma palavra: fantástico. Escolhemos certo. As meninas já tinham uma desenvoltura razoável e a dependência era menor. Nada que dois pares de braços não dessem conta. O hotel era voltado a crianças em detalhes que passam desapercebido numa primeira vista. Não falo na recreação (que não é muito boa), mas em cuidados com a cama e protetor lateral ou na piscina com vários recursos de proteção. Refeições exclusivas em um espaço próprio e várias atividades em uma área enorme. Foi demais. Juro que na hora do checkout estava tocando a trilha sonora de “Raízes” com grilhões sendo partidos!
Já temos mais viagens programadas. Apenas a família. Demos início a um momento que sempre esperei. Viver em família. Temos pedido opiniões e sugestões. E cada uma tem sido bem guardada. Gostaria de saber e receber mais dicas de viagens para crianças. Assim poderemos compartilhar experiências.
Desde já esperando!
contato@vambertomaia.com





segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Uma Foto e Mil Sentimentos...

   2010 foi um ano realmente único em minha vida. Na mesma época em que eu e a Maíra engravidamos um casal maravilhoso e batalhador também conseguiu seu objetivo. Telma e Sidnei.  Duas gestações singulares. A nossa trigemelar e a deles uma gestação gemelar univitelínica, ou seja, um embrião único que se dividiu e formou 2 outros dentro do mesmo saco de gestação. Dois eventos raros, distintos que não tinham motivos para se misturarem. Só que não!

   O casal já havia enfrentado outros tratamentos e por serem do sul do pais me pediram para que conduzisse o pré-natal. Um desafio que aceitei. As gestações caminhavam em paralelo e na mesma época também complicaram igual. Nas trigêmeas uma (Alice) estava com restrição de crescimento e isso colocava em risco a todas. Nas gêmeas idênticas uma das bebes “roubava” sangue da outra (o que chamamos de síndrome trasnfusor-transfudido) e assim também coloca em risco a vida de ambas. A única solução seria uma cirurgia intra-útero. Queimar com lazer os vasos que faziam este elo e salvar ambos os fetos. Não preciso falar que era um risco real perda da gestação. Nessa altura já sabíamos que todos os bebês eram meninas.


   No passado outro casal teve uma experiência terrível com esta cirurgia intra-útero, com um médico que não conhecia e haviam perdido os bebês. O colega que diagnosticou o problema da Telma no ultrassom me havia indicado, na visão dele, o melhor para isto. O Fábio Peralta. As credenciais eram as melhores possíveis. Entrei em contato, expliquei o caso e me convidei para acompanhar a cirurgia: pela paciente que me pediu e pela curiosidade de ver esta maravilha da ciência. Naquela altura minha cabeça dava voltas com “meus problemas“ e estava um pouco desnorteado. A cirurgia foi agendada para o HCor e cheguei cedo. Conheci o Peralta e com ele conversei sobre o que seria feito. No meio de tudo isso falei sobre o que estava acontecendo com a “minha gestação” e agendamos um encontro para avaliar minha esposa.
Turminha
   Santo foi esse dia. A cirurgia foi perfeita e sem complicações. A gestação da Telma estava bem encaminhada. Agora faltava o meu “caso”. Um dia depois estávamos no consultório dele para minha via crucis. Foram 24 dias de ultrassom diário e um cuidado que raras vezes vi na vida. Olha que sou atencioso e cuidadoso com minhas pacientes, mas o Fábio elevou muito o nível! Não tenho dúvida em falar que a perícia do Peralta foi perfeita em ambos os casos e salvou os 5 bebês.

   Nesse meio tempo de incertezas quanto as gestações combinei com a Telma que um dia colocaríamos as 5 meninas juntas para uma foto e que ainda iriamos rir de tudo aquilo. Na verdade estava apavorado com medo de perder tudo. E isto foi um mantra para dar força a nos mesmos. Um dia teríamos uma foto com todas juntas, Um dia teríamos uma foto com todas juntas (1000x)....
   
   Minhas filhas nasceram em novembro e Bel e Malu em janeiro. Como sabem esse momento não foi fácil e a ideia da foto ficou meio esquecida, até que há duas semanas recebi um e-mail da Telma que me convidou para a festa de 4 anos da Bel e Malu e que queria muito que fossemos. Foi um aniversário que jamais esquecerei e que nem ela sabe o quão ela foi importante para minha vida. Se eu “salvei” a vida da Bel e Malu ela “salvou” a vida da Alice e das demais.

   No final do dia tento sempre fazer uma reflexão do meu dia. Dediquei este dia a Fábio Peralta um dos mais brilhantes ultrassonografistas que conheci; A Telma e Sidnei que de uma forma muito especial salvaram minha filhas; e as meninas que hoje são lindas e saudáveis graças a uma medicina de ponta e humana. Uma festa que nunca mais vai sair de minha memória.
@vambertomaia

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

E que venham mais 444 anos...


Este mês comemoramos a festa de quatro anos de minhas princesas. Foi uma festa incrível mesmo. Sempre fizemos festas mais intimistas sem grandes pretensões, mas dessa vez mudamos de ideia. Maíra argumentou que essa seria uma das últimas chances de nossas princesas curtirem uma festa infantil. Exagero? Que nada. Nosso sobrinho de 6 anos já pediu para passar a tarde no boliche! E assim fizemos.
Escolhemos um buffet ótimo e com brinquedos que nem em meus melhores sonhos infantis teria. A saber: De parede de escalar a torre que despenca, passando por fliperama e chegando numa mini montanha russa! Ah, antes que pensem que com dinheiro tudo se pode esse era o menor custo de 6 buffets avaliados. Realmente valeu a pena. O tema foi escolhido pelas próprias meninas. Minnie foi “the chosen one” e o planejamento começou. De roupas a detalhes das mesas tudo pensado e cuidado com muito carinho. 

A festa foi perfeita e emocionante. 
Sempre brinco que convidado sempre acha do que reclamar. Desta vez não deu! Acho que nunca comi tanto na minha vida! Não faltou nada mesmo. Todos os amiguinhos do colégio das meninas estavam lá, o que foi maravilhoso. Outras festinhas do colégio já tinham sido feitas e pela 1ª vez a turma inteira estava lá. 
Elas se sentiram livres e a vontade para curtir cada pedacinho da casa. Acho nunca senti que uma festa tinha sido "sugada" em sua plenitude. No parabéns cada uma ganhou seu próprio bolo e apagaram suas próprias velinhas. Queremos criar em cada uma sua individualidade (até a roupinha apesar de igual era individual). As meninas brincaram até não poder mais. Saíram de lá com vontade de ficar mais.

Já no carro voltando para casa quase não acreditei no que meus marejados olhos assistiam. 3 Minnies pintadas e dormindo de exaustão no banco de trás do carro. Me lembrei dos 58 dias de sofrimento na UTI; das cicatrizes que ainda carregam nos punhos; dos infinitos exames que fizeram; dos vários médicos que nos seguiram por mais de 2 anos; e de tudo isso e muito mais que nem vale a pena relatar. 
A festa era delas, mas o presente fui eu que ganhei. Que essas pequenas crianças lindas tenham uma longa jornada de alegrias à sua frente. 
@vambertoMaia

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Vai uma chupeta aí?

Quando as meninas começaram a ganhar peso e “pularam o muro” (ler textos anteriores) da UTI era comum ver crianças com chupeta. Ainda dentro da UTI. Antes que alguém se espante isto é muito comum ok. Nada de errado. Mas aquilo não agradava a gente. Eu e a Maíra sempre fomos contra chupeta. Não tenho um motivo claro em minha cabeça, contudo mesmo sem muita profundidade nesta seara assumimos que bebês não precisam de chupeta e que o seu uso pode trazer consequências. E ponto final.
Durante esta fase acabei lendo que chupeta deixaria os músculos da face flácidos. Isso traria prejuízos na mastigação e deglutição. Algo que sabíamos que nossas pequenas guerreiras teriam devido a prematuridade. O desenvolvimento da fala também poderia ser afetado um exemplo clássico é o personagem dos quadrinhos Cebolinha, que troca o “R” pelo “L”. E para piorar cresci ouvindo histórias que a criança ficou “dentucinha” por que usou muito chupeta e por aí vai. 

Nos EUA onde fizemos nosso enxoval até compramos algumas chupetas e acessórios. E olha que chupeta tem um “caminhão” de formas, marcas e acessórios. O americano chama chupeta de “pacifier” e não é por acaso. Chupeta acalma os bebes mesmo. Basta ver a cena em qualquer lugar do planeta: bebê se esgoelando até chegar chupeta. E qual mãe que não recorre a uma chupeta para o bebê parar de chorar? Certamente a esmagadora maioria. Minha mãe quando veio ajudar até colocou uma na boca delas. Uma e única vez que isso aconteceu na vidinha delas. As minhas filhas nunca chuparam chupeta.
Entendo que bebes precisam e tem como um de seus poucos reflexos necessidade de sugar, quando estudante adorava brincar com os RNs nos famosos reflexos próprios dos bebs (“ponto cardeais, baby kiss”...) que demonstram o potencial de oralidade deles. Contudo, sempre achei que chupeta atrapalharia muito esse aprendizado.
Em nossa casa a chupeta foi substituída por “naninhas”. Paninhos que teriam o papel de acalmar elas. Com um detalhe: sem personalizar isso ao máximo possível. Não queríamos criar um vinculo com um único e depois ter uma dependência igual e convenhamos bem nojenta pela sujeira que se acumularia (leia-se: muita baba).
E finalmente este junho, mais um passo foi dado. Jogamos fora todas as naninhas. Fizemos um acordo com elas: cada comportamento errado jogaríamos uma foram, na verdade elas iriam jogar e isso foi uma experiência muito rica. A primeira a ir ao lixo foi repleta de choro e birra, mas com o passar dos dias elas viram que isso era punitivo e elas mesmas falavam: “mamãe vou jogar a naninha foia!” Foi lindo. Hoje substituímos por ursinhos e bonequinhos (o “Buno e Guígui” foram os últimos).
Assim minhas bebes dão passos largos para a fase: meninas!!! Próximo passo: fazer elas comerem sozinhas....
#blogdastrigemeas 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Minhas filhas saíram das fraldas....

Mais que uma sensação de liberdade incrível, este pequeno gesto teve um impacto incrível no meu orçamento familiar. Durante quase 1 ano fui um dos maiores terroristas da natureza gastando a incrível marca de 800 fraldas mês. Isso mesmo 800. A conta é simples: uma troca a cada 3 horas = 8 fraldas dia. Vezes 3 = 24 fraldas dia para todas. Vezes 30 dias no mês = 720 fraldas; mas como essa conta facilmente era maior cheguei aos incríveis 900. Não que eu reclame, fico imaginando se fosse à minha época que não existiam as fraldas descartáveis. Mas quem comprou um pacote de fraldas sabe quanto custa. Nada barato viu.

Superlativo se tornou algo comum a minha ainda embrionária família. Acho que a primeira vez mesmo que fui apresentado aos múltiplos números foi fazendo o enxoval nos EUA. Olhando para o carrinho de compras a vendedora perguntou se tudo era para uma criança. Respondi que não e depois emendou: quantos? – Respondi: “triplets” e um “Ohhh” se seguiu. Notei que muitos “Ohhh” ainda se seguiriam.

Com a saída das fraldas comecei a repensar nos muitos números que entraram (e saíram) de minha vida. 3 filhos; mais de 15 babas; poucas horas de sono (para menos e hoje para mais); muitas discussões conjugais; uma pequena fortuna em reais para bancar essa brincadeira; visitas a diversos médicos; fisioterapia para as meninas; berços; carrinhos; cadeirões; roupas; produtos de higiene; farmácia; carro de sete lugares; escola... Ufa!

A lista é imensa e poderia ficar aqui detalhando o quanto minhas filhas, que nem chegaram a adolescência, são caras. Mas tem outra lista: a de coisas boas. Ah as coisas boas....
Minha vida se tornou triplamente mais agradável e feliz (obviamente quando elas não fazem complô). As descobertas são tão intensas que mereceriam um calculo preciso do agora aposentado Oswaldo de Souza. Mas acho que não seria mensurável. Todo-dia-é-dia de novidades.

Muitos outros números ainda viram: faculdade e genros me preocupam. Os últimos mais que os primeiros, mas certamente já estarei bastante preparado para tudo isso. Mente forte domina coração fraco.


Nunca fui bom com números. Acho que Papai do Céu quis me ensinar uma lição: números não mentem.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

TRIGÊMEOS É UM SONHO?

Quem trabalha com reprodução sabe que dados são sempre importantes. Temos que reportar tudo para centros que gerenciam e monitoram os resultados obtidos e nos colocam sempre no caminho certo (bom e velho “puxão de orelha”). Por isso mantemos o contato, mesmo após o encaminhamento para o pré-natal, para saber sobre “nossos” bebes (peso, idade gestacional, apgar...). É um momento da verdade. De saber o que fizemos e resultados.

E foi dessa forma que descobri que os trigêmeos de uma paciente de meu sócio estavam. Nasceram no interior do estado, com 32 semanas e pesos excelentes para prematuros (cerca de 1500g cada). A maternidade não era um primor e aparentemente alguns problemas ocorreram. Resultado são três crianças com paralisia cerebral entre outros problemas. Da mesma feita, na última vez que fomos ao oftalmologista (obrigatório para prematuros) encontramos outros trigêmeos e um deles com uma paralisia motora importante e um certo déficit intelectual. Nos conversamos um pouco sem que ela soubesse que era também pai de trigêmeos e o relato de luta era duro. Foi muito chocante para mim. 
Ate Sherek chiou...
Não tenho dúvida que o mundo tem uma velocidade diferente de outrora e que queremos tudo para ontem, assim ter gêmeos é uma facilidade incrível. Imagina só um parto e tudo resolvido; ou um só tratamento (e seus custos altos) e pronto uma família completa da noite para o dia. Mas o que é bonito em muitos portas retratos representa o “pesadelo” de muitas famílias (basta conversar com alguém que trabalha com crianças especiais para ver o pavor a gêmeos que têm).

Não existe dados oficiais sobre as sequelas aos múltiplos (independente do número de bebês), mas quando as minhas filhas fizerem 25 semanas (intra útero) fui conversar com a chefe da UTI neo do HMSJ e fiquei espantado. A morbidade nesta faixa de semana é de quase 90%. As minhas nasceram com 28 semanas e 3 dias. Na ocasião tinham 15% de Mortalidade e 80% de morbidade. Falávamos de um "pé torto ou uma marcha ruim" como algo certo e bobo (para eles que tem crianças com problemas muito maiores isso valia, contudo para mim era aterrorizante). São números aproximados de um centro de excelência em SP, não podemos extrapolar para os demais. Nunca é demais lembrar que minhas filhas nasceram com 780, 1000 e 1200g cada.
Quem não os conhece assista Valente....
Muitas pessoas chegam a meu consultório e veem a foto de minhas filhas, saudáveis, lindas e dizem que querem também. Respondo de forma pragmática: não desejo isso para ninguém. E suponho que muitos acham que estou brincando, mas não estou não! Quem já leu relatos anteriores sabe o que passamos e ainda esta por vir.

Nossas filhas são um ponto fora da curva e credito isso a algumas coisas: 1º Deus. Ele colocou sua mão em Maíra e nossas filhas; 2º uma medicina muito acima da media, ter bons profissionais cuidando de você foi decisivo para sabermos a hora exata que a gestação não podia progredir. Aqui incluo principalmente um bom médico fetal; 3º uma maternidade com uma UTI neonatal que te respalda, pois não adianta ser perto de casa ou ter um quarto grande, com prematuros o que manda é a UTI e ponto final. Nunca deixe de priorizar a excelência na medicina, pois no final das contas é dela que precisamos para valer.
+Vamberto Maia Filho 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

2012 UM ANO DIFÍCIL DE ENGOLIR....

O primeiro dia de 2012 foi um prenuncio do que viria. Dormimos as 02:40 e acordamos as 05:30 (as meninas nunca dormiram ate tarde como de alguns amigos e não o fazem até hoje...). Fomos para a varanda assistir o sol nascer. Entre muito choro contemplamos o futuro. Não amigos, não quero dizer que esse momento poético (que não esquecerei) era um prenuncio de um ano tranquilo, o que na verdade significava era: Vocês vão dormir menos ainda, acordar mais cedo e ter mais trabalho!!!!E assim começou nosso ano de 2012: cansado, com sono e particularmente com dor de cabeça (crianças pequenas e comemoração de Réveillon não combinam). Acho que foram quase 356 dias deste mesmo tom.
As meninas começaram a andar nesta fase e era difícil evitar trombadas e mãozinhas bobas destruindo tudo. Mas esta fase foi até engraçada, pena que coincidiu com uma fase terrível de dificuldade em comer. Juro que foram meses de muita luta. As minhas filhas simplesmente não gostavam e não gostam de comer. Cada refeição era encarada como um desafio por todos. E isto colocou convicções em choque. Maíra nunca aceitou que usasse “ajuda” eletrônica para entreter e eu achava uma forma de conseguir isso. Usar celular ou afim só em caso de desespero total (ou escondido dela). Ela venceu. As meninas comiam (e comem) lendo livros. Mas isso nunca foi o bastante. 



Devido a toda complexidade que envolve ter prematuras em casa, comida é um ponto vital e analisado sob o ponto de vista de uma endocrinologista é quase um desafio. Elas tinham um cardápio absolutamente formatado para elas. Sem sal ou açúcar, óleo de girassol, produtos orgânicos e cozidos para elas. Era muito engraçado levar as receitas para onde quer que fossemos (dividida em semana A e B). Em 3 anos elas só passaram a comer a “nossa comida” em 2013. Em defesa disto posso garantir que a comida era gostosa, já que as pequenas sobras quem comia era eu mesmo! Na tentativa de mudar algo levei uma amiga nutricionista para ajudar, contudo não ajudou, mas serviu para ver que o nosso cardápio era nutritivo, equilibrado, sortido, ou seja, perfeito. 

As refeições eram feitas na sala e apenas no final de 2012 é que passaram a ser feitas na cozinha. Isso era motivado pelo tamanho dos cadeirões. Depois compramos umas cadeiras que se acoplam em cadeiras normais que são extremamente uteis e quebram o maior galho. Até hoje estão em uso. 

O auge do desespero alimentar foi em junho de 2012 quanto viajamos mais uma vez a Recife. As meninas decidiram fazer uma greve de fome. Olha posso garantir que pular da janela foi um pensamento recorrente e quase executado.
Comparar crianças faz parte da rotina de qualquer casal. E para nosso assombro parece que o mundo adora comer, menos nossas filhas. Eu não consigo até hoje saber se fizemos algo de errado, se existia uma tática diferente, se nos é que erramos, se somos estressados demais ou se a comida era ruim mesmo no paladar delas, mas comer sempre foi uma luta.
O que nos deixa tranquilos é que elas cresceram (ufa!) e se desenvolveram plenamente ao ponto de alcançarem as curvas de crescimento de normalidade e até passando e muito estas (no caso da Júlia). Então no final das contas acertamos e todo o hercúleo sacrifício e as lagrimas derramadas de ambas as partes surtiram efeito desejado. Em 2013 a meta é as fazer comerem sozinhas. Bolo e brigadeiro (estritamente em festas) já o fazem, mas até hoje não sei por que (bobinho).
Quem quiser os cardápios me manda um e-mail!!!



quarta-feira, 12 de junho de 2013

FESTINHA DE 1 ANO

Todas as vezes que conversei com meus pais sobre as lembranças deles de festas de aniversários que tive, sempre a resposta é a mesma: a de 1 aninho sempre é a mais comentada. Eles falam com detalhes de tudo ocorrido e o que fizeram. Um dos detalhes mais divertido, pelo menos para mim, é que meu pai contratou um carrinho de picolé que passava na rua. Fico imaginando que o vendedor achou o máximo. Claro que na época tudo era bem diferente...

Após o nascimento, saída da UTI foram muitos meses de reclusão em casa e dificuldades múltiplas para nos adequar as meninas. Queríamos apresentar as meninas a família então ir a Recife no aniversário delas seria tudo de bom. Faríamos um 2 em 1. Aniversário e batizado. Minha irmã queria batizar nossa sobrinha de igual idade e combinamos de fazer uma cerimônia só. Perfeito. Achamos que 1 babá seria perfeito e que daríamos conta do recado com a família (claro que não deu nada certo, mas conto em outra oportunidade).
Primeira confusão: a mudança para Recife. Sim falo a mudança por que se sair com uma criança de casa já é difícil, sair com equipamentos para 3 era uma aventura. A saber: havia uma mala de 32 quilos de só delas e ainda carrinhos, brinquedos, roupas, mamadeiras... Decidi mobilizar a comunidade recifense para nos ajudar. Conseguimos 3 cadeirões de alimentação e 1 carrinho de bebe. Graças a Deus não precisaria levar (ou comprar) isso por lá!


Batizado com os avós
Segunda confusão: horário do voo. Lógico que teríamos que comprar voo no horário que não atrapalhasse a rotina rígida das meninas. E ainda precisaríamos comprar diretamente com a cia aérea, já que eram crianças de colo. Detalhe que não poderíamos ficar juntos no voo por uma questão técnica. Cada fileira só tem uma máscara de oxigênio a mais, ou seja se sentássemos juntos deveria ter 6 mascaras o que não existe (#ficaadica). resultado: cada um para uma fileira diferente. Além disso chegar no aeroporto foi mais uma aventura. Não tinha a menor condição de um táxi levar nossas malas. Impossível. tentei de tudo até tentar contratar a Van da TAM, mas no final o mais fácil foi descolar um motorista para nos levar e depois nos pegar. Nessa época a arquitetura par isso não foi fácil.

O voo em si foi tranquilo. Muito pouco choro e se me lembro bem ninguém vomitou. Fizemos uma técnica de dar uma mamadeira na subida e outra na descida pra não entupir os ouvidinhos delas (#ficaadica). Deu muito certo. Claro que durante o voo o trio chamou mais atenção que algumas celebridades que viajavam juntos. Na chegada havia uma caravana de gente para pegar as meninas. Dois carros a espera e muitas mãos.
No dia seguinte foi o batizado e a festa. Este primeiros decidimos usar uma roupa linda, mas muito quente. As meninas estrilaram. Suavam e choravam muito. Acabara a missa só de fraldas. Foi um dia memorável. Minha afilhada também se batizava e além de minhas filhas assumia, pela segunda vez, o papel de "pai" perante a igreja (com 6 anos fui padrinho de uma prima que hoje já é médica!). Emoção pura.
A mesa de lembranças
A festa foi em um buffet lindo. Minha irmã tomou a frente de tudo. Estava impecável. muita diversão e alegria. As meninas se comportaram maravilhosamente bem. De braço em braço todos queriam pegar e beijar e elas sempre de muito bom humor. Aproveitaram os brinquedos e princialmente a piscina de bolinhas.O tema era meninas super poderosas, não poderia ser diferente. Estavam a carácter! lindas demais. No parabéns curtiram sair da nave espacial nos nossos braços e brincaram (destruíram!) muito com a mesa cheia de brinquedos e luzes. O final do parabéns ainda teve uma surpresa. Um bolo para mim já que era o meu aniversário.
 
Foi maravilhoso. Sempre que posso agradeço minha irmã (e claro todos que ajudaram a ela) por tudo aquilo. Os brindes foram baldinhos de praia que trouxemos de SP (se não bastasse tudo que tínhamos trazido). A sorte é que meses antes minha sogra trouxe um pedaço dos brindes. A festa foi  um acontecimento!
As meninas ganharam muitos brinquedos. Foi divertido abrir com elas os pacotes. elas se divertiam com os brinquedos e com os pacotes. Quem tem filho sabe que ganhar um presente é diversão garantida. Ate hoje esta festa rende lembranças. Seja pelas fotos ou pelas DVD. Até por que as meninas a-d-o-r-a-m assistir o DVD das superpoderosas!
Hoje facilmente entendo por que meus pais sempre falam da minha festa de 1 aninho. O das meninas não esquecerei nunca.
+Vamberto Maia Filho


quarta-feira, 15 de maio de 2013

FORÇA TAREFA

As vésperas das meninas chegarem em casa, estávamos como loucos tentando elaborar uma forma de nos preparar. Minha sogra e mãe se destambocaram de Recife para nos ajudar por 4 meses iniciais. Dali em diante era por nossa conta e risco. Primeiro minha sogra e depois minha mãe. Sem elas não sei o que seria de nós. Além delas, ajuda extra era vital. Leia-se: babás.


Nossa peregrinação começou de uma forma engraçada. Estávamos (ainda grávidos e as vésperas de saber do problema com Alice) em Alphavile na casa de uma grande amiga para confraternizar e dentro do condomínio encontramos uma babá com duas crianças (era a babá dos filhos do Luciano da dupla Zezé & Luciano Camargo). Minha esposa puxou conversa e ela falou que trabalhava por alguns meses com o casal (uns 6 meses) e que já estava acabando aquele trabalho. Pareceu muito esclarecida, dirigia e tinha vários cursos de babás e segurança infantil. Entrava na segunda e saia no sábado. Perfeito!!! Mas quando fomos falar sobre o salário, ela ganhava mais que eu!!! Obviamente desistimos, mas ela nos deu ótimos contatos e daí iniciou nossa busca.

Foram várias entrevistas e escolhemos uma. Excelente mesmo. Ela achava que sozinha daria conta (bobinha) e durante a noite nos (bobinhos) daríamos conta do recado. Insano é o termo. A nossa experiência foi de terrível a pior. Decidimos contratar alguém para a noite. Não foi fácil convencer minha esposa disso. Ela achava que o certo era a gente ficar. É muito complicado mesmo, mas não tinha jeito. Era isso ou uma crise nervosa/ estafa/ lexotan/ manicômio... E assim começou a ciranda de babás.
  


A primeira foi uma auxiliar de enfermagem que queria fazer “um bico” e vinha noite sim e noite não (a depender da sua escala). Noite sim e noite não era o caos. Durou pouco lá em casa, afinal ela tinha outro emprego
. Depois veio uma enfermeira indicada pela pediatra. Foi excelente. Profissional e dedicada, amava as meninas. Mesmo! Ficou conosco pouco mais de 6 meses, mas infelizmente (felizmente para ela) arrumou um emprego como enfermeira e pediu para sair. Mantivemos o contato ainda por muito tempo.

Muitas outras passaram, muitas mesmo, até que conseguirmos dar o jeito que dura até hoje. Escala de 12/36. São duas babás que se revezam noite sim noite não durante a semana, igual a hospital e com plantões de 24 horas no final de semana. Foi perfeito. As minhas babás adoraram e nós também. Foi à solução para a noite. 

Durante o dia decidimos que uma pessoa só não daria certo (às vezes o obvio não salta aos olhos), contratamos outra. Essa dupla foi muito, mas muito importante para nossa família. Divertidas, inteligentes e principalmente, adoravam as meninas. Infelizmente o tempo e (em minha opinião) situações que surgiram fez clima azedar. Não teve acordo. Ambas pediram para sair ao mesmo tempo após 1 ano e 8 meses. Foi o caos. Ficar sem as duas de vez foi muito difícil, mas não tinha volta. Era o que era. Um monte de gente passou, mas decididamente o nosso padrão de exigência estava muito alto. As babás antigas eram muito boas. Foi mais de 2 meses de troca de gente, passamos por cada coisa, vixe quantas... Quando tudo parecia que ia dar errado. Acertamos com outras duas: uma evangélica fervorosa e uma ex-passista de escola de samba! Tinha tudo para dar errado, e deu. A dupla se desfez quando a nossa querida evangélica sumiu e de uma forma muito aprazível: desapareceu no dia que pegaria o avião conosco para Recife, nas nossas esperadas férias de final de ano!

Com os Avos na viagem na dita viagem a Recife



Hoje temos 4 funcionárias e uma folguista. Meus amigos falam que tenho uma microempresa. Isso por que não conto com a nossa mais que querida folguista dos finais de semana. As meninas amam cada uma delas.  

Às vezes fico sem acreditar que tenho tanta gente conosco, mas em minha opinião, são mais que importantes. Não tenho aqui coragem de dizer que isto que fiz é o melhor. Não tenho família em SP e isso foi o que deu para fazer. O custo dessa brincadeira é alto (e olha que o lado financeiro nem é o pior), mas foi a nossa solução. Tenho uma amiga que também tem trigêmeos e que cuidou deles muito tempo sozinha. Ficou traumatizada depois que descobriu que uma babá colocava Dramin® no leite das crianças para dormir. Um escândalo né. Outra amiga mãe de tri-japinhas lindos falou um dia que ficaria com os meninos até o final da licença maternidade e depois voltaria a trabalhar igual a antes (ela trabalha embarcada na plataformas da Petrobras), e cumpriu!!! Minha ídolo!!!. Ela tem uma babá maravilhosa que é super e mais uma que se reveza e esta muito contente.  

Acho que cada história tem uma forma de ser contada. Vou convidar estas duas amigas para contarem um pouco delas e de suas experiências com babás.  

E você, qual é a sua experiência? Se quiser compartilhar, será bem vindo!

@vambertomaia
#vambertomaia



quarta-feira, 27 de março de 2013

A ROTINA DAS TRIGÊMEAS

A chegada das meninas a nossa casa foi definitivamente transformadora. De imediato tivemos que adotar toda rotina da UTI a nossa. Só com uma diferença a equipe da UTI é composta de mais de 30 funcionários em dois turnos e a minha só eu, a Maira e durante 3 meses minha sogra e mãe se revesaram na ajuda. Prometo que falarei sobre isso em outra crônica, pois merece. Por enquanto vamos na adequação.
              
As meninas comiam a cada 3 horas e Maira amamentava todas exclusivamente na UTI. Dá para acreditar! Ela foi imbatível. Mas em casa não dava certo. Ela ainda conseguiu por quase mais um mês, mas o volume de leite que elas exigiam inviabilizou a lactação. Mas 3 meses foi algo que tenho muito orgulho de falar. Um feito dígno da super mãe maíra. E falo isso pelo lado econômico também. A lata que as meninas tomavam (PreNam) custava a bagatela de R$90,00 e dava para 3-4 dias!
             
Além de comer tinha que trocar a fralda para evitar assaduras. Ou seja 8 fraldas trocadas por dia vezes 3 meninas davam 24 fraldas dia = a 900 mês. Fiz a alegria de muita loja de vendas de fraldas em SP. Recomento a JN no Pari, mas a Alô bebe e a BebeMix fizeram muitas vezes preços imbatíveis. Ficava sempre atento a oportunidades e comprar as vezes mais de 2 mil fraldas de uma vez. E que venha o cheque especial!

Amamentando as 23hs
              
Por fim as medicações que eram controladas: ferro, adição vitaminas (geral e D) e para refluxo (da Alice). Era impossível memorizar tudo isso. Então vasculhando na internet vi a ideia de tabelas. Alguns faziam grandes como cartazes. As nossas eram em folhas e A4 mesmo. Adicionei ainda entradas e saídas (vulgo coco e xixi), assim controlávamos: quanto ingeriu de leite, medicações tomadas e coco/xixi. Foi graças a isso que nunca perdemos uma medicação e algumas vezes observamos constipação. Era insano controlar, mas necessário. Fiz também tabelas em Exel para levar a pediatra, assim era preciso saber estes dados para seu crescimento. Ela achava ótimo claro!
               
As sonecas sempre foram um problema. Fizemso de tudo apra que todas dormissem e acordassem sempre juntas. Seria inviável ter que respeitar a individualidade de cada uma. Mas a natureza ajuda nesta hora e isto não foi um problema Estabelecemos que dia era dia, então muita claridade. Deixamos claro que noite era escuro. Para dormir! E funcionou. 
              
Controlar a rotina era uma questão de sobrevivencia delas e dos pais. Controlávamos tudo mesmo. As pessoas costumam a me perguntar como foi possível isso. Muito trabalho e perseverança. Seja militar. Você só tem a ganhar. Pode ser doido no começo, mas a longo prazo é fantástico. Graças a isso hoje as meninas tem horário para brincar e dormir e vamos acrescentando

Disponibilizo a nossa 2a tabela (modificada apenas pela diminuição de horários!