quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

2012 UM ANO DIFÍCIL DE ENGOLIR....

O primeiro dia de 2012 foi um prenuncio do que viria. Dormimos as 02:40 e acordamos as 05:30 (as meninas nunca dormiram ate tarde como de alguns amigos e não o fazem até hoje...). Fomos para a varanda assistir o sol nascer. Entre muito choro contemplamos o futuro. Não amigos, não quero dizer que esse momento poético (que não esquecerei) era um prenuncio de um ano tranquilo, o que na verdade significava era: Vocês vão dormir menos ainda, acordar mais cedo e ter mais trabalho!!!!E assim começou nosso ano de 2012: cansado, com sono e particularmente com dor de cabeça (crianças pequenas e comemoração de Réveillon não combinam). Acho que foram quase 356 dias deste mesmo tom.
As meninas começaram a andar nesta fase e era difícil evitar trombadas e mãozinhas bobas destruindo tudo. Mas esta fase foi até engraçada, pena que coincidiu com uma fase terrível de dificuldade em comer. Juro que foram meses de muita luta. As minhas filhas simplesmente não gostavam e não gostam de comer. Cada refeição era encarada como um desafio por todos. E isto colocou convicções em choque. Maíra nunca aceitou que usasse “ajuda” eletrônica para entreter e eu achava uma forma de conseguir isso. Usar celular ou afim só em caso de desespero total (ou escondido dela). Ela venceu. As meninas comiam (e comem) lendo livros. Mas isso nunca foi o bastante. 



Devido a toda complexidade que envolve ter prematuras em casa, comida é um ponto vital e analisado sob o ponto de vista de uma endocrinologista é quase um desafio. Elas tinham um cardápio absolutamente formatado para elas. Sem sal ou açúcar, óleo de girassol, produtos orgânicos e cozidos para elas. Era muito engraçado levar as receitas para onde quer que fossemos (dividida em semana A e B). Em 3 anos elas só passaram a comer a “nossa comida” em 2013. Em defesa disto posso garantir que a comida era gostosa, já que as pequenas sobras quem comia era eu mesmo! Na tentativa de mudar algo levei uma amiga nutricionista para ajudar, contudo não ajudou, mas serviu para ver que o nosso cardápio era nutritivo, equilibrado, sortido, ou seja, perfeito. 

As refeições eram feitas na sala e apenas no final de 2012 é que passaram a ser feitas na cozinha. Isso era motivado pelo tamanho dos cadeirões. Depois compramos umas cadeiras que se acoplam em cadeiras normais que são extremamente uteis e quebram o maior galho. Até hoje estão em uso. 

O auge do desespero alimentar foi em junho de 2012 quanto viajamos mais uma vez a Recife. As meninas decidiram fazer uma greve de fome. Olha posso garantir que pular da janela foi um pensamento recorrente e quase executado.
Comparar crianças faz parte da rotina de qualquer casal. E para nosso assombro parece que o mundo adora comer, menos nossas filhas. Eu não consigo até hoje saber se fizemos algo de errado, se existia uma tática diferente, se nos é que erramos, se somos estressados demais ou se a comida era ruim mesmo no paladar delas, mas comer sempre foi uma luta.
O que nos deixa tranquilos é que elas cresceram (ufa!) e se desenvolveram plenamente ao ponto de alcançarem as curvas de crescimento de normalidade e até passando e muito estas (no caso da Júlia). Então no final das contas acertamos e todo o hercúleo sacrifício e as lagrimas derramadas de ambas as partes surtiram efeito desejado. Em 2013 a meta é as fazer comerem sozinhas. Bolo e brigadeiro (estritamente em festas) já o fazem, mas até hoje não sei por que (bobinho).
Quem quiser os cardápios me manda um e-mail!!!



quarta-feira, 12 de junho de 2013

FESTINHA DE 1 ANO

Todas as vezes que conversei com meus pais sobre as lembranças deles de festas de aniversários que tive, sempre a resposta é a mesma: a de 1 aninho sempre é a mais comentada. Eles falam com detalhes de tudo ocorrido e o que fizeram. Um dos detalhes mais divertido, pelo menos para mim, é que meu pai contratou um carrinho de picolé que passava na rua. Fico imaginando que o vendedor achou o máximo. Claro que na época tudo era bem diferente...

Após o nascimento, saída da UTI foram muitos meses de reclusão em casa e dificuldades múltiplas para nos adequar as meninas. Queríamos apresentar as meninas a família então ir a Recife no aniversário delas seria tudo de bom. Faríamos um 2 em 1. Aniversário e batizado. Minha irmã queria batizar nossa sobrinha de igual idade e combinamos de fazer uma cerimônia só. Perfeito. Achamos que 1 babá seria perfeito e que daríamos conta do recado com a família (claro que não deu nada certo, mas conto em outra oportunidade).
Primeira confusão: a mudança para Recife. Sim falo a mudança por que se sair com uma criança de casa já é difícil, sair com equipamentos para 3 era uma aventura. A saber: havia uma mala de 32 quilos de só delas e ainda carrinhos, brinquedos, roupas, mamadeiras... Decidi mobilizar a comunidade recifense para nos ajudar. Conseguimos 3 cadeirões de alimentação e 1 carrinho de bebe. Graças a Deus não precisaria levar (ou comprar) isso por lá!


Batizado com os avós
Segunda confusão: horário do voo. Lógico que teríamos que comprar voo no horário que não atrapalhasse a rotina rígida das meninas. E ainda precisaríamos comprar diretamente com a cia aérea, já que eram crianças de colo. Detalhe que não poderíamos ficar juntos no voo por uma questão técnica. Cada fileira só tem uma máscara de oxigênio a mais, ou seja se sentássemos juntos deveria ter 6 mascaras o que não existe (#ficaadica). resultado: cada um para uma fileira diferente. Além disso chegar no aeroporto foi mais uma aventura. Não tinha a menor condição de um táxi levar nossas malas. Impossível. tentei de tudo até tentar contratar a Van da TAM, mas no final o mais fácil foi descolar um motorista para nos levar e depois nos pegar. Nessa época a arquitetura par isso não foi fácil.

O voo em si foi tranquilo. Muito pouco choro e se me lembro bem ninguém vomitou. Fizemos uma técnica de dar uma mamadeira na subida e outra na descida pra não entupir os ouvidinhos delas (#ficaadica). Deu muito certo. Claro que durante o voo o trio chamou mais atenção que algumas celebridades que viajavam juntos. Na chegada havia uma caravana de gente para pegar as meninas. Dois carros a espera e muitas mãos.
No dia seguinte foi o batizado e a festa. Este primeiros decidimos usar uma roupa linda, mas muito quente. As meninas estrilaram. Suavam e choravam muito. Acabara a missa só de fraldas. Foi um dia memorável. Minha afilhada também se batizava e além de minhas filhas assumia, pela segunda vez, o papel de "pai" perante a igreja (com 6 anos fui padrinho de uma prima que hoje já é médica!). Emoção pura.
A mesa de lembranças
A festa foi em um buffet lindo. Minha irmã tomou a frente de tudo. Estava impecável. muita diversão e alegria. As meninas se comportaram maravilhosamente bem. De braço em braço todos queriam pegar e beijar e elas sempre de muito bom humor. Aproveitaram os brinquedos e princialmente a piscina de bolinhas.O tema era meninas super poderosas, não poderia ser diferente. Estavam a carácter! lindas demais. No parabéns curtiram sair da nave espacial nos nossos braços e brincaram (destruíram!) muito com a mesa cheia de brinquedos e luzes. O final do parabéns ainda teve uma surpresa. Um bolo para mim já que era o meu aniversário.
 
Foi maravilhoso. Sempre que posso agradeço minha irmã (e claro todos que ajudaram a ela) por tudo aquilo. Os brindes foram baldinhos de praia que trouxemos de SP (se não bastasse tudo que tínhamos trazido). A sorte é que meses antes minha sogra trouxe um pedaço dos brindes. A festa foi  um acontecimento!
As meninas ganharam muitos brinquedos. Foi divertido abrir com elas os pacotes. elas se divertiam com os brinquedos e com os pacotes. Quem tem filho sabe que ganhar um presente é diversão garantida. Ate hoje esta festa rende lembranças. Seja pelas fotos ou pelas DVD. Até por que as meninas a-d-o-r-a-m assistir o DVD das superpoderosas!
Hoje facilmente entendo por que meus pais sempre falam da minha festa de 1 aninho. O das meninas não esquecerei nunca.
+Vamberto Maia Filho


quarta-feira, 15 de maio de 2013

FORÇA TAREFA

As vésperas das meninas chegarem em casa, estávamos como loucos tentando elaborar uma forma de nos preparar. Minha sogra e mãe se destambocaram de Recife para nos ajudar por 4 meses iniciais. Dali em diante era por nossa conta e risco. Primeiro minha sogra e depois minha mãe. Sem elas não sei o que seria de nós. Além delas, ajuda extra era vital. Leia-se: babás.


Nossa peregrinação começou de uma forma engraçada. Estávamos (ainda grávidos e as vésperas de saber do problema com Alice) em Alphavile na casa de uma grande amiga para confraternizar e dentro do condomínio encontramos uma babá com duas crianças (era a babá dos filhos do Luciano da dupla Zezé & Luciano Camargo). Minha esposa puxou conversa e ela falou que trabalhava por alguns meses com o casal (uns 6 meses) e que já estava acabando aquele trabalho. Pareceu muito esclarecida, dirigia e tinha vários cursos de babás e segurança infantil. Entrava na segunda e saia no sábado. Perfeito!!! Mas quando fomos falar sobre o salário, ela ganhava mais que eu!!! Obviamente desistimos, mas ela nos deu ótimos contatos e daí iniciou nossa busca.

Foram várias entrevistas e escolhemos uma. Excelente mesmo. Ela achava que sozinha daria conta (bobinha) e durante a noite nos (bobinhos) daríamos conta do recado. Insano é o termo. A nossa experiência foi de terrível a pior. Decidimos contratar alguém para a noite. Não foi fácil convencer minha esposa disso. Ela achava que o certo era a gente ficar. É muito complicado mesmo, mas não tinha jeito. Era isso ou uma crise nervosa/ estafa/ lexotan/ manicômio... E assim começou a ciranda de babás.
  


A primeira foi uma auxiliar de enfermagem que queria fazer “um bico” e vinha noite sim e noite não (a depender da sua escala). Noite sim e noite não era o caos. Durou pouco lá em casa, afinal ela tinha outro emprego
. Depois veio uma enfermeira indicada pela pediatra. Foi excelente. Profissional e dedicada, amava as meninas. Mesmo! Ficou conosco pouco mais de 6 meses, mas infelizmente (felizmente para ela) arrumou um emprego como enfermeira e pediu para sair. Mantivemos o contato ainda por muito tempo.

Muitas outras passaram, muitas mesmo, até que conseguirmos dar o jeito que dura até hoje. Escala de 12/36. São duas babás que se revezam noite sim noite não durante a semana, igual a hospital e com plantões de 24 horas no final de semana. Foi perfeito. As minhas babás adoraram e nós também. Foi à solução para a noite. 

Durante o dia decidimos que uma pessoa só não daria certo (às vezes o obvio não salta aos olhos), contratamos outra. Essa dupla foi muito, mas muito importante para nossa família. Divertidas, inteligentes e principalmente, adoravam as meninas. Infelizmente o tempo e (em minha opinião) situações que surgiram fez clima azedar. Não teve acordo. Ambas pediram para sair ao mesmo tempo após 1 ano e 8 meses. Foi o caos. Ficar sem as duas de vez foi muito difícil, mas não tinha volta. Era o que era. Um monte de gente passou, mas decididamente o nosso padrão de exigência estava muito alto. As babás antigas eram muito boas. Foi mais de 2 meses de troca de gente, passamos por cada coisa, vixe quantas... Quando tudo parecia que ia dar errado. Acertamos com outras duas: uma evangélica fervorosa e uma ex-passista de escola de samba! Tinha tudo para dar errado, e deu. A dupla se desfez quando a nossa querida evangélica sumiu e de uma forma muito aprazível: desapareceu no dia que pegaria o avião conosco para Recife, nas nossas esperadas férias de final de ano!

Com os Avos na viagem na dita viagem a Recife



Hoje temos 4 funcionárias e uma folguista. Meus amigos falam que tenho uma microempresa. Isso por que não conto com a nossa mais que querida folguista dos finais de semana. As meninas amam cada uma delas.  

Às vezes fico sem acreditar que tenho tanta gente conosco, mas em minha opinião, são mais que importantes. Não tenho aqui coragem de dizer que isto que fiz é o melhor. Não tenho família em SP e isso foi o que deu para fazer. O custo dessa brincadeira é alto (e olha que o lado financeiro nem é o pior), mas foi a nossa solução. Tenho uma amiga que também tem trigêmeos e que cuidou deles muito tempo sozinha. Ficou traumatizada depois que descobriu que uma babá colocava Dramin® no leite das crianças para dormir. Um escândalo né. Outra amiga mãe de tri-japinhas lindos falou um dia que ficaria com os meninos até o final da licença maternidade e depois voltaria a trabalhar igual a antes (ela trabalha embarcada na plataformas da Petrobras), e cumpriu!!! Minha ídolo!!!. Ela tem uma babá maravilhosa que é super e mais uma que se reveza e esta muito contente.  

Acho que cada história tem uma forma de ser contada. Vou convidar estas duas amigas para contarem um pouco delas e de suas experiências com babás.  

E você, qual é a sua experiência? Se quiser compartilhar, será bem vindo!

@vambertomaia
#vambertomaia



quarta-feira, 27 de março de 2013

A ROTINA DAS TRIGÊMEAS

A chegada das meninas a nossa casa foi definitivamente transformadora. De imediato tivemos que adotar toda rotina da UTI a nossa. Só com uma diferença a equipe da UTI é composta de mais de 30 funcionários em dois turnos e a minha só eu, a Maira e durante 3 meses minha sogra e mãe se revesaram na ajuda. Prometo que falarei sobre isso em outra crônica, pois merece. Por enquanto vamos na adequação.
              
As meninas comiam a cada 3 horas e Maira amamentava todas exclusivamente na UTI. Dá para acreditar! Ela foi imbatível. Mas em casa não dava certo. Ela ainda conseguiu por quase mais um mês, mas o volume de leite que elas exigiam inviabilizou a lactação. Mas 3 meses foi algo que tenho muito orgulho de falar. Um feito dígno da super mãe maíra. E falo isso pelo lado econômico também. A lata que as meninas tomavam (PreNam) custava a bagatela de R$90,00 e dava para 3-4 dias!
             
Além de comer tinha que trocar a fralda para evitar assaduras. Ou seja 8 fraldas trocadas por dia vezes 3 meninas davam 24 fraldas dia = a 900 mês. Fiz a alegria de muita loja de vendas de fraldas em SP. Recomento a JN no Pari, mas a Alô bebe e a BebeMix fizeram muitas vezes preços imbatíveis. Ficava sempre atento a oportunidades e comprar as vezes mais de 2 mil fraldas de uma vez. E que venha o cheque especial!

Amamentando as 23hs
              
Por fim as medicações que eram controladas: ferro, adição vitaminas (geral e D) e para refluxo (da Alice). Era impossível memorizar tudo isso. Então vasculhando na internet vi a ideia de tabelas. Alguns faziam grandes como cartazes. As nossas eram em folhas e A4 mesmo. Adicionei ainda entradas e saídas (vulgo coco e xixi), assim controlávamos: quanto ingeriu de leite, medicações tomadas e coco/xixi. Foi graças a isso que nunca perdemos uma medicação e algumas vezes observamos constipação. Era insano controlar, mas necessário. Fiz também tabelas em Exel para levar a pediatra, assim era preciso saber estes dados para seu crescimento. Ela achava ótimo claro!
               
As sonecas sempre foram um problema. Fizemso de tudo apra que todas dormissem e acordassem sempre juntas. Seria inviável ter que respeitar a individualidade de cada uma. Mas a natureza ajuda nesta hora e isto não foi um problema Estabelecemos que dia era dia, então muita claridade. Deixamos claro que noite era escuro. Para dormir! E funcionou. 
              
Controlar a rotina era uma questão de sobrevivencia delas e dos pais. Controlávamos tudo mesmo. As pessoas costumam a me perguntar como foi possível isso. Muito trabalho e perseverança. Seja militar. Você só tem a ganhar. Pode ser doido no começo, mas a longo prazo é fantástico. Graças a isso hoje as meninas tem horário para brincar e dormir e vamos acrescentando

Disponibilizo a nossa 2a tabela (modificada apenas pela diminuição de horários!


segunda-feira, 11 de março de 2013

O QUARTO

É logico que a nossa vida na maternidade foi um período tenso e cheio de incertezas, mas tínhamos certeza que passaria. E assim foi. Dia 01/01/2011 recebemos alta e levamos a turma para casa (Clarinha veio 2 dias depois). E como costumo dizer a vida recomeçou.
              
Você tem ideia do que é ter 3 bebês em casa. Logística é uma questão e sobrevivência e sanidade mental. Não necessariamente nesta ordem. Tudo muda e ninguém tem isso planejado. Procurei muito em internet, livros e revistas. TODOS só penam em gêmeos no plural de 2 e nunca de três. Mas faz sentido, as chances de um casal conceber, espontaneamente, trigêmeos e de 1: 512.000 nascidos vivos. Eu mesmo não me preocuparia com isso não é.

Vou tentar agora dividir como nos lidamos com isso em várias crônicas, nesta falarei do quarto.

Nosso projeto de vida era 01 filho, então nossa casa estava projetada para isso. 2 quartos estava para lá de bom. Até por que são enormes. Enfim tínhamos que dar um jeito. Colocar 3 berços, uma cama, uma cadeira de aleitamento e um trocador foi o 13º trabalho de Hércules.

Muitos blogs oferecem suas próprias soluções e nas metragens mais incríveis. Vi um casal que colocou os bebes em um berço só (achei a ideia excelente e criativa, mas minha esposa quase me matou por pensar nisso!). Muitos optaram por retirar os armários e trocador do quarto para ganhar espaço e evitar barulho. Outros não colocavam a cama da babá. Nos conseguimos tudo isso.
1º passo: adequar conteúdo a continente. Não tenha medo de empurrar para cima e para baixo. Pense que você esta fazendo parte de um quebra cabeça, só que além de adequar as peças têm que agradar ao gosto da mãe!

2º: passo: aos que já montaram algo um dia sabem que alguma peça pode sobrar. No nosso caso o banco de apoio ao pé da cadeira de aleitamento ficou em baixo do berço. Mas usamos ele muito viu.

3º passo: comprar bem os móveis. Trena e boa lábia são importantíssimas. Trena para medir os berços e saber que cabem. Lábia para conseguir um bom desconto. Não é todo dia que um só casal compra 3 berços! Lojas em feiras para bebes são um bom local para pegar vários orçamentos em um só dia e depois pechinchar. Não compre no mesmo dia sem ter absoluta certeza que cabem em seu quarto. Dica o berço americano é mais caro na compra, mas dura muito mais. Os nossos ainda cabem as meninas.

4º passo: decoração. Por tudo que é mais sagrado não percam mais espaço com isso. Usem uma decoração simples e cortinas leves que possam ser lavadas facilmente. Você não quer um local para acumular pó.

Pesquise bem tudo isso e tenho certeza que acharam várias soluções. Se precisar de mais dicas me peçam!

As fotos são do quarto delas ao nascimento e hoje o que muda é que estão em caminha.



 +Vamberto Maia Filho
+Vamberto Maia Filho


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

01.01.01

O réveillon de 2010 foi inesquecível. Pela primeira vez em minha vida iria estar num hospital na virada do ano, mas sem trabalhar. Era um ambiente diferente festivo, pelo menos para mim. Era o último dia de Alice e Julia lá. Só poderíamos entrar as 23:30, então ficamos do lado de fora. Me sinto como no portão de um show que esperei a minha vida inteira, só faltaram os gritos de "Abre, abre...". Entramos devidamente trajados de branco, e claro que elas também. Para mim o branco no último dia do ano é regra. A noite foi perfeita, muitas fotos com todos da UTI, já que na manha seguinte as enfermeiras seriam outras e teve até uma pequena contagem regressiva, ao som de um sussurro claro. Depois da virada voltamos para casa. O dia tinha que raiar logo.

No dia seguinte chegamos cedo e claro, mais fotos. Até uma simbolizando a entrega das pediatras para gente tiramos. Não posso esquecer quando a Maíra abraçou a Filo e agradeceu. Foi uma emoção enorme. Fomos ao carro e as meninas conosco. Não dava para acreditar.

Chegamos em casa e eu filmando tudo. Quando abri a porta de nossa casa algo aconteceu que não posso explicar. Eu nunca fui um sujeito muito emotivo. Na verdade minhas emoções sempre foram absolutamente comedidas, mas mudei. Elas me mudaram. Acho que nunca chorei de alegria em minha vida, ali foi a primeira vez. Colocamos as meninas em seus berços. Pai como eram pequenas. O berço era simplesmente um playground! Acho que assim como todos os pais do mundo, não dormimos naquela noite. Mal sabia eu que era apenas a primeira de 365 que viriam. Exagero? de forma alguma daquela noite em diante a minha primeira noite de sono completa só veio em 2012. Lá por abril....

Clara veio 2 dias depois. E esses dois dias foram muito esquisitos, mas passaram rápido. A Clara foi a mais prematura de todas, em todos os sentidos... 
Nunca imaginei que iria mudar tanto, que ser pai era o inicio de um novo Vamberto e que a vida daquele momento em diante me seria mais plena. E plena de muitos e deferentes sentimentos...

Que fique claro que o que aconteceu com as minhas filhas foi fora da curva de normalidade. As meninas passaram na UTI por momentos difíceis é certo, mas de uma forma geral sempre em uma condição mais estável possível.

A vida agora seria a 5, na verdade seriam tantas pessoas que tive a impressão que passei a morar em minha própria comunidade. Só que em 105 m2.

2011 iniciavasse  repleto de expectativas e abertos a descobertas, só não avisaram que seria tão, mas tão difícil...

domingo, 22 de julho de 2012

SHORT TALES

A convivência na UTI é o que poderia chamar de a mais plural das individualidades que tive a oportunidade de ter. As incubadoras são locais exclusivos dos pais e daqueles que trabalha na UTI, não é um local de comparações. Viva seu mundinho.  Maiores ou menores todos têm problemas a ser resolvidos. Normalmente na entrada é o único local de convivência ou nas conversas com a equipe de psicologia. Temos que lavar mãos ate a altura do cotovelo, regra básica, e nesse momento estamos todos juntos. Obviamente além dos sorrisos amarelos sempre tem alguma troca de palavras curtas. É essa força que alimenta os nossos espíritos. Afinal todos estão no mesmo barco. E aí sabemos um pouco da historia de cada bercinho.  Final feliz não é uma rotina.

Made in Santos
Maria Eduarda foi a nossa primeira vizinha de frente. Ela foi uma prematura que nasceu quase em transito. Sua mãe entrou em trabalho de parto e como era muito pequena decidiram vir às pressas para o Santa Joana pela UTI melhor. Atitude duplamente desesperada que só entende que é pai e mãe. Nascer na estrada é algo terrível para um prematuro e perder a oportunidade de ter, mesmo que limitada, em um hospital menos preparado não deve ser desprezado. Mas tudo deu certo. Duda nasceu de parto normal, com 30 semanas e o peso da Clara: 1,2Kg. Chorava até não poder mais e tinha muito refluxo. Lembro de um dia que ela teve uma apneia em nossa frente. Eu assisti a tudo sem saber se deveria me meter ou não, mas a equipe viu rapidamente e acordou a pequena para respirar. Outro detalhe é que o primeiro presente que ela ganhou foi uma Minie que era pelo menos 2x o seu tamanho. Era hilário ver aquela bonecona presa na incubadora e a bebe muito menor. Quem quiser ver a Minnie basta entrar no site do Santa Joana e ir ver fotos/filme da UTI neonatal. Ela vai aparecer. Duda deu aos seus pais um presentão de natal. Sua alta foi exatamente nesta época. Imagino que em Santos ela deve ter chorado mais alto que os fogos no réveillon!

Damn you CA
Gabriel nasceu de 26 semanas. Seu parto foi antecipado pela descoberta de um câncer de mama em sua mãe, particularmente não sei se esta conduta é a mais indicada, mas foi a tomada pelo seu médico. Interromper a gestação em uma mulher de seus 40 anos é uma decisão dificílima. Como um infertileuta acho isto uma temeridade pelos riscos e dificuldades de uma nova gestação. Mas assim foi feito. Gabriel nasceu pequeno perto de 600 gramas e sua mãe foi operada e iniciou quimioterapia. Acompanhamos as suas ausências na UTI bem como seu regresso com um lindo turbante para esconder a provável falta de cabelo. Neste momento o seu pai sempre estava lá. Pense em um paizão. Chegava ao final do dia e ficava horas ao seu lado. O problema do Gabriel foi a imaturidade do pulmão, algo compreensível, esperado e terrível. Assistimos as várias tentativas de retirar o tubo dele, sempre sem sucesso. Na última vez estávamos chegando a UTI e flagramos a pediatra conversando com os pais sobre a quase perda do Gabriel. Seu caminho foi a traqueostomia. Buraquinho no pescoço para ajudar a respirar. Gabriel evoluía muito bem com ganho de peso e um grande progresso. Quando recebemos alta, Gabriel ficou em uma ala especial. Já estava com um quilo e tantos e planos para “home care”. Algum tempo depois voltamos para uma visita e ficamos sabendo da perda dele. Ficamos muito abalados e tristes. Parecia alguém próximo, mas não era. Éramos conhecidos de UTI.

Again
Isadora foi mais uma prematura que vimos chegar. Sua mãe apresentava um distúrbio de coagulação que provocava perdas sucessivas por infarto placentar. Segundo a mãe já havia abortado outras 3 vezes. Isadora foi a gravidez mais longa. Apesar de usar anticoagulante sua placenta ficou inapta a “alimentar” a Isadora e o Doppler alterou. Consequência: parto com 27 semanas e um bebe muito pequeno. Perto de 400 gramas. Sua mãe, como é de praxe nas UTIs era uma heroína Irredutível e implacável na UTI. Se fosse bicho tenho certeza que iria lamber a cria por horas e dias a fio. Isadora surpreendeu. Teve um inicio de vida tranquila pesar de tudo  que passava e começou a ganhar peso. A cada dia a confiança no sucesso era maior. No dia 1 de janeiro nossas filhas recebiam alta e dois dias depois Isadora teria uma septicemia por ruptura de intestino. Inesperado, ela já estava com 1,7Kg. Jamais vou esquecer deste dia. Minha alegria contrastada no semblante devastado dos pais de Isadora e dos seus avós. A equipe da UTI talvez prevendo o pior deixou todo mundo ir vê-la antes da cirurgia. Acho que todos sabiam que ela não sairia bem. Isadora faleceu no dia seguinte. Seus pais foram sempre muito educados e tentei muito falar com eles. Mas não tinha como. Nem sabia seus sobrenomes. Durante muito tempo rezamos por eles.

A little hole
Rafael foi nosso vizinho de frente. Sua vinda foi anunciada aos 4 ventos e os preparativos enormes. Rafael iria nascer com uma hérnia diafragmática e estava vindo do Espírito Santo. A que ouvia sua hérnia era enorme e prognóstico péssimo. A hérnia em si já é bem complicada, imagina uma grande. Saímos um dia e no outro lá estava ele no berço cheio de tubos e cateteres. Me lembro que chegava o natal e aquela cena só me lembrava a árvore de natal que vi em NY no Trump Tower. Como tinha luz ao redor daquele menino! Rafael era enorme pesava quase 4 kg e sua mãe era bem pequena. Era ate engraçado, tentei imaginar como seria aquela mulher com ele na barriga. Médica e oftalmologista, ela só chorava ao lado do berço. Certamente ciente das chances de sucesso pequenas. Mas a cirurgia foi um sucesso. Muito melhor do que as melhores expectativas. Rafael evoluiu muito bem e de forma quase miraculosa estava respirando sem aparelhos em poucas semanas. Depois fiquei sabendo da fama da UTI em casos de hérnia. Pude até comprovar recentemente com dois casos que acompanhei de hérnia lá na UTI que se saíram muito bem. Acho que estava certo. Aquelas luzes era uma árvore de natal e o anjo do natal fez seu milagre. Rafael recebeu alta no dia 25 de dezembro.
Nossa história chega ao fim na UTI. Momentos felizes e tristes foram vividos. Minha vida mudou para minha eternidade. Agora é chegada a hora do mundo conhecer minhas trigêmeas. 

http://www.youtube.com/watch?v=lEZkFYgxp20&feature=player_embedded#t=0s

quinta-feira, 28 de junho de 2012

OS GRANDES PAPAIS DA NATUREZA

Esta é uma homenagem que na época fiz para todos os pais (homens) lutavam na UTI. Na verdade existem outros "machos" que são ótimos pais, mas este nos representam muito bem.  


Um dos animais mais devotados, o cavalo-marinho é um animal monogâmico que faz tudo para a sua companheira, até carregar os ovos em sua barriga. Após a dança do acasalamento, a fêmea transmite os ovos através de um tubo em seu corpo. A quantidade de ovos que os pais transportam pode chegar a 1 mil, que se desenvolvem por três semanas, até eclodirem de 100 a 250 cavalos-marinhos de cerca de 1 centímetro cada. 



O pinguim Imperador pode ser considerado o melhor pai do mundo. Depois que a fêmea bota o grande ovo da espécie, é o macho que faz todo o processo para a sua eclosão. O pai recolhe o ovo, o mantém aquecido durante dois meses, sem deixá-lo de lado nem para se alimentar. A missão fica ainda mais difícil pelas temperaturas que podem chegar a 70 graus abaixo de zero, mas os pais não tiram os seus ovos quentes de jeito nenhum.Depois do nascimento, ainda é o pai o responsável pela alimentação dos filhotes através de uma substância leitosa produzida a partir de seu corpo. Só então, as mães vão a caça de peixes para regurgitá-los aos filhotes. Após o dever cumprido os imperadores machos voltam ao mar em busca de comida para eles.


 Os saguis do sexo masculino são os responsáveis pelos primeiros cuidados com os filhotes após o parto. Por conta dos recém-nascidos possuírem cerca de 25% do peso da mãe, o período de recuperação da fêmea da espécie é de algumas semanas e assim cabe ao pai alimentar, proteger e fazer tudo que é necessário as bebês.
Olha o quadro na UTI 
 

quarta-feira, 6 de junho de 2012

22/11/2010

Vou tomar a liberdade para dar um salto na linha do tempo desses meus relatos...

Duas coisas aconteceram em um espaço de tempo tão curto e tão sincronizado que não poderia passar por mim desapercebido...

Recentemente uma paciente e amiga veio em consulta para ver como estavam as coisas. Na nossa conversa ela me perguntou sobre o dia do nascimento do Gustavinho, seu filho: " aconteceu alguma coisa errada no dia do parto". Não entendi por ela me perguntou isso. Para mim foi tudo ótimo. Um menino de 3,6Kg sem complicações. Falei " Nada que me lembre". Ela continuou. "É que vendo o filme do nascimento do meu sobrinho (que fiz o parto meses depois) o Sr. estava muito mais descontraído, mais feliz. Eu e o Ricardo sempre achamos que algo não havia dado certo e queria saber disso" - Curiosidade justa de uma mãe que tem um filho lindo e quer sempre saber se há algo errado. Tudo veio como uma avalanche. Realmente não estava bem naquele dia por uma conjunção de eventos. Lembrei de tudo...

O parto tudo foi bem, diria perfeito, mas não consegui ficar feliz mesmo, apesar do sucesso. Já era final da tarde quando fazíamos a cesárea e algo que ouvira naquela manhã, algo rotineiro numa UTI, martelava em minha cabeça. Um novo bebe chegou. Ela havia nascido com um peso muito pequeno, algo em torno de 800g. O peso da Alice e como estava na minha frente não pude deixar de ouvir a conversa entre o pai e a médica, um rapaz jóvem e de barba fechada - "posso ter esperança?", perguntou seco e sem muita emoção. A médica - "Claro, temos muitos casos assim, é a nossa rotina (...)". Parei de escutar e comecei a pensar com uma força descomunal - "força amigo, aqui tivemos uma pequena assim e ela esta ótima". Não sabia da história obstétrica e muito menos conseguia parar de pensar nela e no que os pais dela passariam.
Acabamos o parto e fui direto para o carro. Chorei muito. Não podia deixar de pensar que havia feito um parto que se somasse todos os pesos de minha filha + o bebe novato não daria o peso dele. Era muito duro e impossível não comparar. Queria que fosse igual. Achava injusto afinal. E apaguei isso da memória como uma defesa. Esqueci ao ponto de nunca ter sequer comentado com minha esposa, que se não ler isto aqui vai continuar sem saber...

Uma semana antes de encontrar a mãe de Gustavinho, um ano e meio depois do parto, e por fim a memória disso tudo, encontrei os pais da bebe novata na festa dos prematuros da UTI do Santa Joana. Cruzamos na subida para aquele passeio habitual sobre os buffets infantis em espaço naves (não tem como não passear neles e as meninas amam). Quando olhei para ele me lembrei na hora. Parei e pela primeira vez conversamos. Na UTI é proibido olhar os bebes dos outros e conversar com os outros pais, por motivos óbvios, e como sempre estava correndo nunca troquei 2 palavras com ele. Seu nome é Flávio, já o da sua esposa e filha não falarei. Sua filha linda, linda não, lindíssima filhota, está saudável e sem sequelas, com cabelos no ombro e bem encaracoladinho. Uma princesa, quase tão linda quanto as minhas pai coruja é assim, acostumem-se). Contei para ele o que me lembrava do 1o dia dele na UTI e juntos nos emocionamos (certamente mais eu que ele - O Flávio me parece mais durão!). Ele me contou que já havia passado por muitos médicos e todos diziam que não havia muitas esperanças e por isso não queria alimentar muitas expectativas. Por isso estava mais reticente naquele dia.

Contei isto tudo a mãe do Gustavinho. Ela ficou mais tranquila por ter, novamente, a certeza que tudo estava bem com o filhote dela. Mas para mim foi ainda mais importante já que pude ver que a vida é cheia de imprevistos, mas que de alguma forma a esperança nunca pode ser perdida. Talvez esta tenha sido a tônica da festa. Esperança nunca pode ser perdida.

Em breve falarei de outras histórias, não muito felizes pois UTI é assim mesmo, dias bons e outros nem tanto...

domingo, 3 de junho de 2012

O MURO

O muro é uma dos elementos da engenharia civil mais interessantes. O muro historicamente se destaca por já ter separado cidades como Berlin e hoje separa ainda países como as coreias e esta sendo construído em Jerusalém para separar judeus e palestinos. É a única edificação humana que pode ser vista do espaço, a muralha da China. Enfim sua importância é inegável e mal sabia eu que seria importante em nossa vida. A UTI que ficamos era enorme e poderia descrever ela assim: a área retangular  tinha a sua esquerda o “’aquário” uma área reservada a crianças mais crônicas; dividindo o todo tinha um muro, do lado da entrada era destinada as crianças mais graves e do outro lado as crianças mais estáveis; e no lado direito pias. Então o nosso sonho era “pular” o muro como as enfermeiras falavam. A cada dia que as meninas melhoravam cresciam nossas expectativas para que este dia chegasse.

Olhada no muro repleto de "coisas" necessárias as encubadoras.
Ainda no lado"grave".
 Um dia como tantos chegava a UTI e lavava as minhas mãos e notei uma movimentação em cima do berço da Alice. Focos cirúrgicos, enfermeiras e médicos com aventais azuis típicos dos usados em cirurgia. “Meu Deus, o que esta acontecendo” pensei. Fiquei ali parado na entrada do hall olhando com uma angustia que dava para pegar na mão. Estava a uns 6 metros pois não queria atrapalhar, mas acho mesmo é que petrifiquei, e não via o que estava acontecendo bem. Acho que um milhão de coisas passou na minha cabeça.  Não sei quanto tempo se passou – 20 a 30 segundos talvez, quando um dos “seres de azul” notou que estava ali olhando aquilo. Provavelmente com uma cara daquelas. “Não é a sua, não a sua!”. “Hã!” naquele momento meu cérebro, e coração, voltaram a funcionar. “Suas meninas pularam o muro “. Foi quando entendi o que acontecia, Alice e Julia, pularam o muro e a Clara ainda iria ficar por ali, mais afastada do epicentro da gravidade, mas só pularia o muro alguns dias depois. Quem estava por ali era um novo prematuro com todas as intervenções sendo feitas e por isso aquele auê todo.
Quando fui do outro lado do muro e vi as meninas fiquei muito feliz, em êxtase mesmo. Me lembro que a Maíra ficava o tempo todo pedindo para que a Clara pulasse o muro logo, era quase um mantra, pois como as meninas estavam separadas isso era algo ruim. Essa passagem da UTI jamais esquecerei e acho que nunca mais verei um muro com os mesmos olhos de novo!